Coronavírus

Houve subavaliação de risco do surto de Covid-19 no lar de Reguengos de Monsaraz

NUNO VEIGA

A cronologia dos acontecimentos.

Especial Coronavírus

Nos primeiros dias do surto no lar de Reguengos de Monsaraz, o risco foi mal avaliado. Não havia um plano para substituir profissionais, foi difícil implementar medidas de controlo da infeção e ainda mais difícil ter médicos e enfermeiros no local.

São estas as conclusões preliminares do relatório da Autoridade de Daúde Pública a que a SIC teve acesso. Foi escrito a 29 de julho, quase uma semana depois da última das 18 vítimas ter morrido.

A cronologia dos acontecimentos

Recuamos a 17 de junho, dia em que se sabe que uma funcionária teve contacto com o coronavírus 10 dias antes. Ou seja, nessa altura já o vírus circulava entre os idosos há muito tempo.

Não é por acaso que o mesmo relatório diz que dois dias depois de conhecido o caso da funcionária, 58% dos utentes estão infetados.

A 6 de julho, mais de duas semanas passadas e já depois da transferência dos doentes para um pavilhão, 96% dos idosos tinha Covid-19.

Relatora do inquérito diz que maioria morreu de desidratação

A médica responsável pela auditoria ao lar de Reguengos de Monsaraz diz que a maioria dos doentes não morreu de Covid-19. Os idosos acabaram por chegar ao hospital com as doenças crónicas agravadas e desidratados.

Os idosos chegaram a esse ponto porque, segundo o que a Comissão Regional do Sul da Ordem dos Médicos apurou, faltava tudo no lar: gente para cuidar e alguém que soubesse informar os médicos chamados a socorrer os doentes sobre o que andavam a tomar.

Ministério Público abre inquérito

O Ministério Público instaurou um inquérito sobre o surto. Questionada, a PGR confirmou a existência de um inquérito no lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS), o qual corre termos no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Évora.

A VIDA DENTRO DO LAR DE REGUENGOS DE MONSARAZ

A SIC visitou o lar, que sofreu obras de remodelação, e vive uma nova normalidade bastante afetada por tudo o que aconteceu.

No lar, foram contaminados 80 utentes e 26 profissionais, mas a doença propagou-se à comunidade e infetou outras 56 pessoas.

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