Coronavírus

Ministra garante que Governo prepara resposta mais eficaz para os lares

Ana Mendes Godinho analisou o impacto da Covid-19 nos lares portugueses, abordou o caso de Reguengos de Monsaraz, onde morreram 18 pessoas, e considerou que a dimensão dos surtos nessas instituições "não é demasiado grande"

Especial Coronavírus

A ministra da Segurança Social assumiu não ter lido o relatório da Ordem dos Médicos a denunciar falhas no cumprimento das orientações da Direção Geral da Saúde (DGS) no lar de Reguengos de Monsaraz. Em entrevista ao jornal Expresso, Ana Mendes Godinho garante que o Governo está a preparar uma resposta mais eficaz para os lares, nomeadamente a contratação de 15 mil funcionários.

A ministra disse ainda que vai ser criada uma linha telefónica, que estará disponível no outono, para acompanhar situações relacionadas com a pandemia de Covid-19 nos lares que precisem de uma resposta mais urgente.

Ao Expresso, Ana Mendes Godinho recusou comentar a situação do lar de Reguengos de Monsaraz, por estar ainda a decorrer o inquérito aberto pelo Ministério Público.

A ministra diz que a competência é do Ministério da Saúde e assumiu não ter lido o relatório da Ordem dos Médicos a denunciar situações de abandono terapêutico no lar.

"No caso de Reguengos, a grande dificuldade foi encontrar funcionários quando muitos ficaram doentes. É preciso aumentar a aposta nos recursos humanos do sector social. Em abril criámos um programa especial [do IEFP], inicialmente previsto por um período de três meses e que decidimos prolongar até ao fim de dezembro", disse a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Segundo números avançados pela responsável, foram aprovadas até agora 5.800 pessoas para instituições do setor social, sendo que o objetivo é colocar cerca de 15 mil até ao final do ano.

Para Ana Mendes Godinho, o seu papel à frente do Ministério deve ser o de apoiar e não o de procurar culpados.

A responsável sublinhou ainda a evolução positiva da pandemia nos lares: "Tivemos 365 surtos [em abril] e temos 69 agora. Claramente, temos menos incidência. Temos 3% do total dos lares e temos 0,5% das pessoas internadas em lares que estão afetadas pela doença! A dimensão dos surtos não é demasiado grande em termos de proporção. Mas, claro, isto não significa que não devamos estar preocupados".

Além disso, Ana Mendes Godinho lembrou que foi criada em março uma taskforce para "acompanhar as institui­ções para perceber onde são precisos mecanismos adicionais de ajuda. Os reforços financeiros já ultrapassam os 200 milhões de euros".