Coronavírus

"O vírus gosta muito das pessoas de idade e eu não o quero". O que dizem os idosos sobre a pandemia?

Rita Rogado

Rita Rogado

Jornalista

Humberto Candeias

Humberto Candeias

Repórter de Imagem

Rui Félix

Rui Félix

Editor de Imagem

A SIC Notícias falou com quatro idosas que pertencem ao Clube Sénior da Fundação Liga. Estão em casa há sete meses. Há quem cuide da horta e faça obras em casa, mas há quem prefira ver televisão e fazer crochê. A coordenadora do Clube Sénior começa a identificar mais fragilidades físicas e psíquicas, o que não acontecia antes da pandemia. O Clube Sénior, que fica em Lisboa, está encerrado desde março. Não há previsões para a reabertura.

Especial Coronavírus

Os Centros de Dia e Centros de Convívo em Lisboa e Vale do Tejo estão encerrados desde março. O Clube Sénior, da Fundação Liga, fechou nessa altura, como todos os outros centros do país. No entanto, ainda não teve autorização para reabrir por ser em Lisboa, na região com mais casos de covid-19, ao contrário do que aconteceu nas restantes regiões do país.

A Fundação Liga teve de criar alternativas para combater a solidão dos idosos. O acompanhamento tem sido feito à distância, com videochamadas feitas pela coordenadora do Clube Sénior e pela técnica de serviço social. Os idosos passaram a utilizar telemóveis e tablets, alguns oferecidos pela Fundação Liga, para poderem estar em contacto com as amigas do Clube Sénior e com a coordenadora e a técnica.

"Eu não tinha telemóvel. Tive um há uns anos mas como não me entendia com ele até o dei à minha irmã. Disse que não queria mais telemóvel, mas com esta pandemia a doutora disse-me que tinha de ter porque faz falta", contou à SIC Notícias Virgínia Barros.

No início da pandemia, quando os idosos tiveram de ficar confinados em casa, o Clube Sénior garantiu o acesso dos idosos a bens alimentares e medicamentos. Cristina Passos, coordenadora, contou que o telemóvel foi o primeiro instrumento de trabalho no início da pandemia "para dar resposta a essas necessidades básicas".

Sete meses depois, a coordenadora Cristina Passos identifica dependência física e cognitiva em alguns utentes, o que não acontecia antes da pandemia.

"Vai implicar novamente alguma readaptação para encontrar respostas que possam, no fundo, compensar estas áreas onde as sentimentos mais fragilizadas", afirmou, em entrevista à SIC Notícias.

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