Coronavírus

À procura de consenso sobre o estado de emergência, Presidente da República recebe parceiros sociais

TIAGO PETINGA

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que existe uma maioria de pelo menos dois terços para aprovar um estado de emergência "muito limitado", após ter ouvido os partidos.

Especial Coronavírus

À procura de consenso sobre a declaração do Estado de Emergência, o Presidente da República começa esta terça-feira a receber os parceiros sociais.

Depois de ter ouvido o primeiro-ministro e os partidos com assento parlamentar, Marcelo Rebelo de Sousa reúne-se com as centrais sindicais - UGT e CGTP - e com a Confederação do Turismo. Os encontros começam a partir das 15:00, no Palácio de Belém.

Em entrevista à RTP, na segunda-feira à noite, o chefe de Estado realçou que está em causa um estado de emergência "muito limitado, de efeitos sobretudo preventivos", e não "apontando para o confinamento total ou quase total" que aconteceu entre 19 de março e 2 de maio.

"É esta a inclinação dos partidos que ouvi - vamos ver se é inclinação dos parceiros económicos e sociais. Mas é a inclinação do próprio Governo. E o Presidente da República está a ponderar", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República afirmou que existe uma maioria de pelo menos dois terços para aprovar um estado de emergência "muito limitado", após ter ouvido os partidos com representação parlamentar.

Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que "é uma maioria que está nos dois terços ou acima dos dois terços" em defesa desse "estado de emergência limitado", e observou: "Se isto não é uma maioria clara - uma maioria de revisão constitucional - não sei o que é uma maioria clara".

Portugal poderá ter uma "duplicação do número de infetados" a cada quinze dias

O chefe de Estado mencionou que de acordo com "os modelos puramente matemáticos" Portugal poderá ter uma "duplicação do número de infetados" a cada quinze dias, o que daria entre "oito mil, nove mil, dez mil" no final deste mês.

Ainda segundo "a progressão matemática", Portugal poderá "passar de dois mil e tal internados para cinco mil, seis mil" e "em cuidados intensivos de perto de 300 para 600", e o número de mortos "pode aumentar significativamente ao longo das próximas semanas, por dia".

As medidas anunciadas pelo Governo que abrangem 121 concelhos poderão vir a abranger "um número muito maior", alertou.

"É para os portugueses se habituarem à ideia", observou.

Marcelo Rebelo de Sousa frisou que "este estado de emergência é muito diferente do anterior, nos pressupostos e no âmbito" e argumentou que "dá força jurídica" às medidas do Governo. Questionado se essas mediadas foram concertadas consigo, respondeu: "Como imagina, nós temos falado ao longo do tempo permanentemente".