Coronavírus

Os avisos de Marcelo: estado de emergência é para continuar e pode estar a caminho a terceira vaga

RUI OCHÔA

Rita Rogado

Rita Rogado

Jornalista

Presidente da República anunciou esta sexta-feira a renovação do estado de emergência, no Palácio de Belém, em Lisboa.

Especial Coronavírus

O Presidente da República fez uma comunicação ao país esta sexta-feira, a partir do Palácio de Belém, em Lisboa, na sequência da aprovação no Parlamento do seu decreto que renova o estado de emergência por mais 15 dias, entre 24 de novembro e 8 de dezembro.

"Portugueses acabo de decretar a renovação do estado de emergência", foram as primeiras palavras do Presidente da República ao país.

No discurso de cerca de 10 minutos, Marcelo Rebelo de Sousa explicou as razões que levaram à renovação deste quadro legal por mais 15 dias, com em efeitos a partir da 00:00 de terça-feira, 24 de novembro. Este é o quinto decreto de estado de emergência durante a pandemia, nove meses depois do primeiro.

Casos descem mas número de internamentos sobe

O Presidente da República lembrou que o número de mortes por Covid-19, de internamentos e de pessoas nos cuidados intensivos continua a aumentar, apesar dos sinais de uma ligeira descida do indicador de propagação do vírus e de desaceleração do crescimento dos casos positivos em concelhos em que se interveio há mais tempo.

Medidas demoram tempo a fazer efeito e mais informações

Em segundo lugar, acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa, as medidas restritivas para conter a propagação da Covid-19 demoram tempo a fazer efeito, de acordo com os especialistas.

"Quanto mais tarde forem tomadas, menos eficazes serão", afirmou.

Continuando a enumerar as razões, Marcelo lembrou que há agora dados mais específicos sobre a Covid-19 que ajudam a que as medidas sejam tomadas em função dos diferentes graus de gravidade "em grupos e concelhos".

Terceira vaga e estado de emergência o tempo "que for necessário"

No discurso desta sexta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa apontou também para uma nova subida de infetados com Covid-19.

"É provável que uma terceira vaga possa ocorrer entre janeiro e fevereiro, que será tanto maior quanto maior for o número de casos um mês antes", disse, acrescentando que é importante conter "fortemente" a subida de casos em dezembro, mesmo depois um possível pico da segunda vaga.

E voltou a salientar a possibilidade de sucessivas renovações do estado de emergência. Já tinha apontado para esta possibilidade na quinta-feira, no final de uma reunião sobre a situação epidemiológica em Portugal, no Infarmed, em Lisboa.

"Se tudo isto impuser a ponderação em devido tempo de segunda renovação do estado de emergência de 9 a 23 de dezembro, ou mesmo mais renovações posteriores, que ninguém se iluda: não hesitarei um segundo em propô-las para que o Governo disponha de base suficiente para aprovar o que tenha de ser aprovado", afirmou.

Aos portugueses, Marcelo "dá como certo" que o estado de emergência vá durar o tempo que "for necessário ao combate à pandemia", sublinhando que esta renovação foi aprovada no Parlamento com mais de 80% dos votos. Deixou também um recado a todos, incluindo os decisores políticos: não facilitem "do princípio ao fim de dezembro" para não haver um "agravamento pesado" no início do próximo ano.

Referindo-se aos partidos e aos parceiros sociais, admitiu que cada renovação do estado de emergência vá originar críticas acrescidas. No entanto, realçou que nenhum deputado ou partido pode dizer que sempre se opôs, desde o início da pandemia, à adoção do estado de emergência. A primeira declaração foi aprovada sem votos contra.

SNS sob pressão

A pressão "brutal" no Serviço Nacional de Saúde foi também referida pelo Presidente da República, uma pressão que "vai aumentar nos próximos dias e semanas".

"Culmina em situações críticas generalizadas, o que implica a exigência de tentar conter o curso da pandemia em dezembro e certamente também nos primeiros meses de 2021", salientou.

Na comunicação país, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que neste momento há duas realidades: uma delas é a vacina que não não vai chegar a todos "em menos de alguns meses", explicou; a outra são as possíveis "situações críticas nas estruturas de saúde", nomeadamente na capacidade de resposta e na prevenção.

"Será dramático para doentes Covid e para os muitos, muitos mais, doentes não Covid", disse.

Falando diretamente aos que desvalorizam a pandemia, o Presidente da República lembrou o direito à vida.

"Há, de facto, internados e cuidados intensivos Covid-19 que têm direito à vida e à saúde e há doentes não Covid-19 que têm exatamente o mesmo dirieto à vida e à saúde que os primeiros", disse, referindo que é importante o país não chegar a situações críticas.

Criticas

No discurso desta sexta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa mostrou também compreender os portugueses que - com trabalho perdido, salários cortados e empresas afundadas - criticam "erros, omissões, avanços e recuos, ziguezagues" nos últimos meses. E exemplificou:

"Em maio e junho sobre a Grande Lisboa, em agosto e setembro sobre a segunda vaga, em outubro, hoje, amanhã, depois, criticando tudo o que vier tarde ou mal explicado, por defeito de porta-voz ou por defeito de decisão", salientanto que não é altura para "baixar os braços" no combate à pandemia.

Veja aqui a mensagem do Presidente da República ao país.

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