Coronavírus

Covid-19. Otimismo e pressa podem comprometer resultados a médio e longo prazo da vacina

"Tem-se dito que não há efeitos adversos, mas há efeitos adversos nas vacinas", alerta o investigador Miguel Castanho.

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A proposta do plano de vacinação para a covid-19, conhecida na semana passada, continua envolta em polémica por excluir pessoas com mais de 75 anos sem doenças. Miguel Castanho, investigador do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, explicou, na Edição da Tarde, como são feitos os ensaios clínicos.

De acordo com o investigador, o planeamento do ensaio clínico é feito à partida com aquilo que se espera que seja a população-alvo, mas não existe uma regra fixa, admitiu, sublinhando que não se conhecem ainda os resultados substanciais.

Por isso, considera importante deixar nas mãos das autoridades reguladoras, como a FDA (a agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos) e a Agência Europeia do Medicamento, a decisão de aprovar ou não a vacina para determinadas faixas etárias, garantindo a segurança.

"A partir daí já podemos, com os pés no chão, fazer um plano de vacinação. Até lá, estamos muito especulativos", afirmou.

Questionado sobre a ausência de um plano de vacinação bem definido em Portugal, como acontece em alguns países europeus, o investigador defende que não estranha, para já, a falta desse planeamento. Neste momento, considera importante construir cenários de acordo com o que é expectável para quando a vacina começar a ser administrada, desde estudar as vacinas que vão estar no mercado até às condições em que podem ser manuseadas.

Nas últimas semanas, a expectativa que aponta para o início da vacinação em janeiro começa a crescer. O otimismo tem vindo a aumentar, assim como a pressa, defende Miguel Castanho.

"Creio que poderemos estar a dar às pessoas a noção de que tudo isto acontecerá muito rapidamente. Tem-se dito que não há efeitos adversos, mas há efeitos adversos nas vacinas", frisou.

O investigador receia ainda que esta pressa possa comprometer um plano de médio prazo que permita melhores resultados, lembrando que só no próximo inverno é que iremos ter uma noção real da eficácia da vacinação.