Coronavírus

Ministro não quer, para já, alterar aulas ou avaliações presenciais no ensino superior

JOÃO RELVAS

Admitiu que a situação da pandemia traz um incerteza que exige "um esforço de realismo" constante.

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O ministro da Ciência e Ensino Superior rejeitou esta terça-feira alterar o regime de avaliações presenciais nas universidades e politécnicos, admitindo no entanto que a situação da pandemia traz um incerteza que exige "um esforço de realismo" constante.

Falando numa audição na comissão parlamentar de Educação, Ciência, Juventude e Desporto, Manuel Heitor argumentou que geralmente a incidência de casos de contágio pelo novo coronavírus no Ensino Superior é sempre inferior à dos concelhos onde se localizam as universidades e politécnicos.

"Estamos abertos a uma situação complexa que requer também muita ponderação" ressalvou, notando que até à terceira semana de fevereiro, o ensino superior está na pausa entre semestres e que "nesta fase não deve haver alterações ao regime das avaliações presenciais, sempre que possível complementadas por avaliações com recurso a tecnologias digitais".

Qualquer alteração ao regime de avaliações terá impacto no percurso académico dos estudantes, salientou.

Apesar de críticas de "negacionismo" dirigidas ao ministro pelo deputado social-democrata Duarte Marques, Manuel Heitor declarou que as recomendações do Governo para as instituições sobre o regime presencial de aulas e avaliações, "seguem as principais e melhores práticas internacionais, numa reflexão mantida diretamente com estudantes, dirigentes e presidentes de politécnicos e reitores de universidades que reconhecem os lugares seguros que são hoje as instituições de ensino superior".

"Há uma visão em Portugal e na Europa que o ensino deve ser sobretudo presencial e essa visão tem que ser aplicada, mas de uma forma realista caso a caso, seguindo o que é a realidade e o que é o esforço que nos exige garantir condições de elevada segurança", declarou.

Manuel Heitor referiu que na faixa etária entre os 20 e 29 anos, entre a qual têm aumentado os casos de contágio, apenas 18 por cento estão no ensino superior, enquanto na faixa etária entre os 18 e os 24 há 30% nas universidades e politécnicos.

"De uma forma geral, para além de nessas faixas etárias a fração de estudantes ser apenas uma pequena fração, temos dentro das instituições taxas de incidência, com dados de terça-feira, são sempre inferiores aos concelhos" onde estas se situam.

O ministro indicou que na Universidade do Porto, a taxa de incidência de casos entre os estudantes era "30% da taxa de incidência em todo o concelho", tal como entre os estudantes da Universidade do Minho, em que a taxa de incidência é cerca de 25% do que se verifica nos concelhos em que a universidade tem instalações.

"Os dados que vivemos têm muito a ver com períodos não letivos, quer nos contágios ao fim de semana, quer nos períodos após ou entre o Natal e o Ano Novo, por isso temos que ser bastante cuidadosos e muito realistas nestas extrapolações", referiu.

Fenprof pede encerramento das escolas

A Federação Nacional Dos Professores (Fenprof) defende que as escolas devem fechar. A posição foi anunciada, esta terça-feira à tarde, por Mário Nogueira, que considera que o encerramento é inevitável dado o agravamento da pandemia.

A Fenprof critica a falta de medidas do Governo em relação à comunidade escolar, dizendo que a única referência do Governo às escolas, na conferência do primeiro-ministro na segunda-feira, teve a ver com o reforço do policiamento no exterior para evitar ajuntamentos.

Numa nota à comunicação social, a Fenprof diz que quer que as escolas acompanhem o confinamento geral do país, "conforme defendem os especialistas".

A Federação Nacional Dos Professores disse também que esperava medidas reforçadas do Conselho de Ministros, lembrando o abaixo-assinado dirigido ao primeiro-ministro que pedia testes, vacinação e teletrabalho nas escolas.

"Como a Fenprof tem afirmado, nada substitui o ensino presencial", lê-se no comunicado.

No entanto, no mesmo comunidado, afirma que o governo não garantiu a realização periódica de testes às comunidades escolares, a integração dos professores nos grupos prioritários para vacinação, a proteção dos profissionais que integram grupos de risco e o reforço de medidas de segurança sanitária nas escolas.

A Fenprof garante que, conscientes dos défices que se agravarão, os professores estão disponíveis para procurar atenuar os prejuízos de trabalho remoto.

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