Coronavírus

Covid-19. Portugal continua o país com mais mortes e novos casos por milhão de habitantes

Pedro Nunes

Dados em relação à média dos últimos sete dias.

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Portugal era esta segunda-feira o país em pior situação de novos casos e novas mortes por milhão de habitantes na média dos últimos sete dias, de acordo com sites que recolhem informação estatística sobre a pandemia da covid-19.

No site Our World in Data, Portugal surge como o país que teve nos últimos sete dias mais casos confirmados (1.142) por milhão de habitantes de contágio pelo novo coronavírus, de acordo com os dados compilados pela universidade norte-americana Johns Hopkins.

A seguir a Portugal, tirando pequenos territórios como Andorra (647) e Montenegro (616), surge o Reino Unido (443), Líbano (441), Estónia (401) e Estados Unidos (400).

Segundo a mesma fonte, Portugal está também no topo da tabela de mortes por milhão de habitantes, com 27 por milhão nos últimos sete dias, seguido da Eslováquia (18,9) e Eslovénia (14,9).

Na proporção de casos totais desde o início da pandemia, Portugal tem 62 por milhão de habitantes (o 13.º número mais alto) e figura em 24.º lugar na lista dos países com mais mortes por milhão de habitantes

A plataforma de dados portuguesa Eyedata coloca também Portugal como o país com mais novos casos por milhão de habitante na média de sete dias (1.366) e com mais novas mortes por milhão (23).

A Eyedata, que compila informação recolhida de várias fontes online, coloca Portugal como o 32.º país com mais mortes associadas à covid-19 por milhão de habitantes e 27.º com mais casos de infeção com o novo coronavírus por milhão de habitantes.

"A pandemia é uma lição de humildade. Se não aprendermos, mais vidas serão perdidas sem necessidade"

Portugal registou esta segunda-feira mais 252 mortes por covid-19 e 6.923 novos casos de infeção pelo novo coronavírus, segundo o relatório de situação da Direção-Geral da Saúde.

Para Bernardo Gomes, médico de saúde pública, os números ainda não refletem o aperto de medidas impostas pelo Governo para combater a pandemia.

O profissional de saúde e professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto diz que, numa altura tão complicada para o país, é importante "reforçar o contacto telefónico com família e amigos para nos aguentarmos neste processo".

Bernardo Gomes lamenta que tantos profissionais de saúde estejam sob pressão nos hospitais portugueses.

"O meu coração fica apertado por todos os profissionais de saúde na linha da frente", disse em entrevista à SIC Notícias.

O médico de saúde pública considera que a pressão não vai descer tão rapidamente e lembra que todos os portugueses devem ajudar para que a situação não piore. Aos que é permitido, pede que fiquem em casa. E acrescenta: "Mesmo à distância, reservem um bocadinho do vosso tempo diário para ajudarem alguém".

"Ninguém pede, ninguém quer e acho que ninguém quer ser herói no meio disto tudo. Devíamos ter todos condições de trabalho para sermos profissionais de saúde nas horas previstas, com os horários possíveis porque todos nós temos família. Nesta altura há muita gente a ir muito além do dever", sublinhou.

Bernardo Gomes vê a pandemia como "uma lição de humildade permanente".

"Nós temos de aprender e mudar com as circunstâncias. E se não aprendermos, mais vidas serão perdidas sem necessidade", alertou.

O professor universitário disse à SIC Notícias que, desde o início da pandemia, houve muitas falhas na comunicação e deixou algumas sugestões para mudar isso.


"Podemos apontar várias falhas na comunicação desde o início da pandemia. Já não basta irmos para o registo muito formal da conferência e dos números diários. Precisamos de ter informação mais atualizada, a nível regional, a nível concelhio. Sermos capazes de transmitir mensagens positivas, sermos capazes de tentar desarmar rapidamente a desinformação.

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