Coronavírus

Plano de Vacinação contra a covid-19. Ministra da Saúde faz ponto de situação

MIGUEL A. LOPES/POOL

A ministra da Saúde, Marta Temido, e o secretário de Estado Adjunto e da Modernização Administrativa, Luís Goes Pinheiro, fizeram esta tarde, no Ministério da Saúde, em Lisboa, um ponto da situação sobre o Plano de Vacinação contra a covid-19, depois da reunião desta manhã com a task force, que decorreu em videoconferência e foi presidida pelo primeiro-ministro.

Quantas vacinas recebeu Portugal?

A ministra revelou que, até ao momento, Portugal recebeu 387.270 vacinas da Pfizer e 19.200 da Moderna. Destas, 10.800 foram entregues ontem. Para as regiões autónomas foram enviadas 23.400.

A 9 e 19 fevereiro, o Governo espera receber 200 mil vacinas da AstraZeneca.

Quantas pessoas já foram vacinadas?

Os profissionais de saúde do setor social e privado, profissionais e residentes de lares e estruturas de pessoas com deficiência, cuidados continuados e centros de diálise já foram vacinados.

Ao todo foram 340 mil inoculações, das quais 270 mil referentes à primeira dose e 70 mil à segunda.

Segunda fase arranca este mês

Este mês arranca a nova fase de vacinação contra a covid-19 para os idosos com mais de 80 anos e os doentes com mais de 50 anos.

No entanto, o início da inoculação dos idosos com mais de 80 anos vai ser ainda simbólico porque só quando houver vacinas disponíveis é que vão ser chamados pelos centros de saúde.

O coordenador do plano de vacinação apela à paciência e pede às pessoas que esperem pelo contacto.

Os utentes que não são seguidos no SNS têm de se inscrever para a vacinação num formulário disponibilizado na internet.

A vacinação deste grupo de pessoas deverá prolongar-se até ao final de março, segundo o Plano Nacional de Vacinação.

Desvio de vacinas. "Há procedimentos que terão sanções ao nível disciplinar e criminal"

António Lacerda Sales, secretário de Estado da Saúde, considerou “inaceitável” os desvios de vacinas contra a covid-19 para pessoas que não fazem parte dos grupos de prioridade definidos pelos plano de vacinação.

“Todos os desvios à vacinação que sejam dentro daquilo que sejam os critérios de priorização do plano de vacinação serão, com certeza, inadmissíveis sejam eles de quem forem e onde forem”, disse aos jornalistas.

Quando questionado se estes casos já divulgados serão investigados e se haverá alguma responsabilidade criminal para os envolvidos, Lacerda Sales destacou que está em curso uma investigação.

“Estamos a promover, esta semana, através da Inspeção-Geral de Atividades em Saúde (IGAS) que irá promover auditorias no âmbito nacional e, como sabem, também há procedimentos que terão sanções quer ao nível disciplinar quer ao nível criminal se durante a sede de inquérito tal se provar”, disse ainda o secretário de Estado da Saúde.

Administrador de hospital colocou mulher e filha na lista prioritária

Em Riba de Ave, no concelho de Vila Nova de Famalicão, o administrador do Hospital Narciso Ferreira incluiu a filha e a mulher na lista de profissionais prioritários, mas nenhuma delas trabalha naquela unidade.

Em comunicado, o clínico recusa que tenha havido qualquer fraude e explica que o facto de o nome da mulher ter surgido como médica é um lapso dos serviços administrativos.

Em relação à filha, a justificação é a de que, como médica, disponibilizou-se para reforçar a unidade covid.

O administrador do Hospital Narciso Ferreira, em Famalicão, nega "qualquer fraude" no processo de vacinação na instituição, garantindo que a mulher e a filha foram vacinadas porque se voluntariaram para ajudar no combate à pandemia de covid-19.

Em comunicado enviado à agência Lusa, Salazar Coimbra acrescenta que ele próprio foi vacinado porque é diretor clínico do hospital, situado em Riba de Ave, Vila Nova de Famalicão, e propriedade da Santa Casa da Misericórdia local.

Recusando "qualquer fraude", o responsável explica que tanto a mulher como a filha, médica, foram incluídos no plano de vacinação daquela instituição porque ambas se ofereceram para ali dar apoio "na linha da frente da prestação de cuidados a doentes" covid-19.

"Não existe, assim, qualquer fraude no processo de vacinação. Aliás, sempre se diga que outros familiares de outros trabalhadores que colaboram com a instituição foram igualmente vacinados", lê-se no comunicado.

Aberto inquérito às suspeitas de irregularidades no processo de vacinação do INEM

Na semana passada, foi aberto um inquérito às suspeitas de irregularidades relativas ao processo de vacinação no INEM. O secretário de Estado da Saúde pediu à Inspeção-Geral de Saúde que investigue o caso.

O instituto autorizou a vacinação de profissionais não prioritários. No entanto, o presidente do INEM garante que foi apenas o aproveitamento de doses que sobraram de profissionais que não podiam ser vacinados, mas a explicação parece não ter sido convincente.

Para além da investigação no INEM, foi ainda determinado uma inspeção mais abrangente em todo o país para verificar se estão a ser cumpridas as normas e orientações do plano de vacinação contra a covid-19.