Coronavírus

Com o Rt abaixo de 1 há uma "tendência decrescente de novos casos" em todas a regiões do país

Violeta Santos Moura

Dados do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA).

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O índice médio de transmissibilidade (Rt) do vírus SARS-CoV-2 está nos 0,66, representando uma tendência de redução de novos casos de covid-19 em todas as regiões do país, anunciou esta sexta-feira o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA).

"Os resultados indicam uma tendência decrescente de novos casos ao nível nacional em todas a regiões do país", refere o INSA no relatório de situação sobre a curva epidémica da infeção pelo novo coronavírus.

A 11 de janeiro, o Rt médio situava-se nos 0,77, um valor que o primeiro-ministro, António Costa, considerou na altura ser "o mais baixo que o país já teve desde o início da pandemia", na primavera de 2020.

Todas as regiões do país com o RT abaixo de 1

Segundo os dados do INSA agora divulgados, todas as regiões do país encontram-se com um Rt - o número médio de casos secundários que resultam de um caso infetado pelo vírus - abaixo de 1.

As estimativas epidemiológicas apontam para um Rt de 0,64 nas regiões Norte, Centro e Alentejo, de 0,66 na região Lisboa e Vale do Tejo, de 0,65 na região do Algarve, de 0,63 na região autónoma dos Açores e de 0,88 na região autónoma da Madeira.

Segundo o INSA, a partir de 18 de janeiro verificou-se uma redução acentuada do Rt, mas, a partir de 11 de fevereiro, registou-se um ligeiro aumento, o que sugere "um desacelerar da tendência de decrescimento da incidência de SARS-CoV-2" nesse período.

"Desde o início de agosto até meio de novembro, o Rt esteve acima de 1 durante 107 dias, revelando uma fase de crescimento sustentada. Desde meio de novembro e até 25 de dezembro, o Rt manteve-se abaixo de 1, representando uma fase de decréscimo sustentada da incidência de infeção por SARS-CoV-2", refere o INSA.

Variante do Reino Unido representa quase metade dos casos em Portugal

A variante do vírus SARS-CoV-2 detetada no Reino Unido já é responsável por quase metade dos casos de covid-19 em Portugal, quando no início de janeiro representava 8% das infeções, adiantou esta sexta-feira Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA).

"À data de 16 de fevereiro, estimamos que esta variante represente cerca de 48% de todos os casos covid-19 em Portugal", disse à Lusa João Paulo Gomes, investigador do INSA e coordenador do estudo sobre a diversidade genética do novo coronavírus em Portugal.

Segundo os dados do INSA, a incidência no país desta variante do vírus que provoca a covid-19, considerada mais contagiosa, tem vindo a crescer desde o início do ano, registando-se um aumento constante ao longo de várias semanas, no período em que foi registado o maior número de infeções em Portugal.

Matemático prevê um verão mais leve, mas desconfinamento só em meados de março

Olhando para os dados atuais, Henrique Oliveira, matemático e professor do Instituto Superior Técnico (IST), prevê um verão mais leve, mas o desconfinamento só deverá começar em março.

Para o professor do IST, a descida diária do número de casos de infeção e de óbitos é um indicador positivo, que promete um verão com menos pressão.

Quando a pandemia acabar, é preciso tirar lições. Henrique Oliveira sugere o uso mais adequado da tecnologia e mais assertividade na testagem e isolamento de cidades, regiões, antes de se chegar ao país inteiro.