Coronavírus

Covid-19. Médicos pedem reforço da resposta em saúde pública antes do desconfinamento

Para os especialistas, o país só deve reabrir quando estiverem menos de 242 doentes covid-19 nos cuidados intensivos.

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A meta está traçada e só deve ser atingida no final de março: "Menos de 242 doentes internados em medicina intensiva com covid-19, pelo menos 285 camas dedicadas a doentes covid-19 e a possibilidade de conseguirmos manter uma atividade normal não-covid-19 com 629 camas. São estes números que vão constituir para nós, na medicina intensiva, o novo normal", apontou esta segunda-feira João Gouveia, coordenador da resposta em medicina intensiva, na reunião no Infarmed.

Só quando se chegar a esse patamar se deve falar em desconfinamento. Mas antes disso, é preciso definir estratégias para garantir que quando o país reabrir, o número de novos casos não volta a disparar.

Para o diretor do serviço de medicina intensiva do Hospital de São João, no Porto, o foco deve ser "constituir uma resposta de saúde pública que seja robusta, que permita detetar o aumento dos casos logo no início desse crescimento e que permita até estratégias de prevenção desse crescimento", o que segundo José Artur Paiva deve passar por um reforço da testagem, um mais rápido rastreio de contactos e por acelerar a vacinação.

"Neste momento, os serviços de saúde estão ainda sobre enorme pressão, não recuperaram, e o aumento de casos covid-19, a verificar-se uma reabertura do país, seja ela em que moldes for, vai certamente constituir, mais uma vez, um dano irreparável em termos de vidas", avisa Gustavo Carona, médico intensivista do Hospital Pedro Hispano, que alerta também para a presença das novas variantes e para a possibilidade de ganharem expressão quando terminar o confinamento.