Coronavírus

Novas variantes do coronavírus detetadas em Nova Iorque e na Califórnia

Carlo Allegri / Reuters

Cientistas preocupados com novas variantes com uma mutação que permite ao vírus esquivar-se ao ataque do nosso sistema imunitário.

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Há duas novas variantes do coronavírus que estão a preocupar os cientistas: uma detetada em Nova Iorque e outra na Califórnia. Os estudos que as revelam não foram no entanto revistos pelos pares.

Duas equipas de investigadores revelaram esta semana que encontraram uma nova variante do coronavírus preocupante na cidade de Nova Iorque e em outras partes do Nordeste dos EUA que têm mutações que impedem a natural resposta imunitária.

A variante B.1.526 foi identificada pela primeira vez em amostras recolhidas em Nova Iorque em novembro e, em meados de fevereiro, já representava cerca de 12% dos casos, revelam os investigadores do Colégio de Cirurgiões e Médicos Vagelos da Universidade de Columbia.

Esta variante também é referida numa investigação publicada pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia (CalTech) Nenhum destes estudos foi ainda revisto por especialistas independentes.

Os investigadores de Columbia avançam ainda que, após análise aos dados disponíveis publicamente de casos da cidade de Nova Iorque e arredores, verificaram não existir uma alta prevalência de variantes do coronavírus recentemente identificadas na África do Sul e no Brasil.

“Em vez disso, encontramos um grande número desta variante 'cá de casa'", segundo Anne-Catrin Uhlemann, professora assistente na divisão de doenças infecciosas de Columbia, em comunicado citado pela agência Reuters..

Este estudo de Columbia descobriu que a variante B.1.526 partilha algumas características preocupantes da B.1.351, a variante identificada na África do Sul, e com a P.1. a variante detetada no Brasil. Vários estudos têm avançado que estas variantes são mais resistentes a algumas vacinas existentes do que as versões anteriores do coronavírus.

A principal preocupação está na mutação numa área da proteína "spike" do vírus, chamada E484K, que está presente em todas as três variantes. Acredita-se que esta mutação enfraquece a resposta imunitária do corpo ao novo coronavírus.

Têm sido feitos estudos que demonstraram que vacinas lançadas recentemente ainda podem neutralizar o vírus e proteger contra a doença grave de covid-19, mesmo nas infeções com as novas variantes.

As farmacêuticas estão também a trabalhar para que as suas vacinas sejam eficazes contra as mutações do novo coronavírus.

Variante da Califórnia

Na terça-feira, duas equipas diferentes deram conta de um outra variante que parece estar a progredir na Califórnia. E temem que possa ser não apenas mais contagiosa, mas também causar a forma mais grave da doença.

Tal como acontece com os relatórios de Nova Iorque, estas investigações estão nas fases iniciais, não foram publicadas nem revistas por peritos independentes e necessitam de mais investigação.

A variante B.1.427/B.1.429 terá surgido na primavera passada mas não foi detetada pelos cientistas até este inverno, segundo o The New York Times.

Uma equipa da Universidade da Califórnia, em São Francisco, testou amostras de vírus de surtos recentes na Califórnia e descobriu que a variante estava a tornar-se muito mais comum. Não tinha sido detetada em nenhuma amostra de setembro, mas no final de janeiro foi encontrada em metade das amostras.

Outra equipa, de Unidos en Salud, uma organização sem fins lucrativos com sede em São Francisco, testou 8.846 pessoas no mês de janeiro e sequenciou o vírus de 630 das amostras. Também encontrou um rápido aumento de casos em que a variante estava presente.

"Os resultados indicam que a variante L452R está presente em 53% das amostras recolhidas entre 10 e 27 de janeiro. É um aumento significativo a partir de novembro, quando a sequenciação do vírus indicou que esta variante estava em apenas 16% dos testes positivos", segundo um comunicado da especialista em doenças infecciosas da UCSF, de Diane Havlir, líder da equipa que prepara estes resultados para publicação.

Uma terceira equipa, do Cedars-Sinai Medical Center (CSMC) fala na variante CAL.20C depois de ter analisado 185 amostras recolhidas durante um surto de covid-19 na Califórnia. O estudo revela que a variante foi responsável por cerca de 36% (67 de 185) das infeções entre 22 de novembro e 28 de dezembro.

Vacinas contra a covid-19 e eficácia contra as variantes

A Pfizer e BioNTech garantem que a sua vacina mantém eficácia contra as principais mutações da variante britânica e da sul-africana. Apoiam a sua afirmação num estudo publicado na revista Nature Medicine.

A Moderna assegura que a sua vacina é eficaz contra a variante britânica e, até certo ponto, contra a sul-africana. Quer no entanto introduzir uma dose de reforço dirigida especificamente contra esta variante.

Um estudo colocou em causa a eficácia da vacina da AstraZeneca contra a variante sul-africana, razão pela qual a África do Sul decidiu utilizar antes a vacina da Johnson & Johnson. Mas nenhuma conclusão é ainda definitiva.

Links úteis

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