Coronavírus

Covid-19. Investigador apela a que se continue a usar máscara, mesmo depois da vacina

Carlos Penha Gonçalves explica que a vacina protege da doença, mas lembra que ainda não há dados que provem que os vacinados não transmitem o vírus.

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O Instituto Gulbenkian de Ciência desenvolveu um estudo que analisou a resposta imunológica à vacina da Pfizer num grupo de profissionais de saúde. Os investigadores concluíram que praticamente todos os profissionais de saúde vacinados com ambas as doses da vacina desenvolveram anticorpos circulantes em grande quantidade.

No entanto, o aumento de anticorpos foi menos expressivo no nariz e nas vias respiratórias. Por essa razão, os investigadores apelam às pessoas que já foram vacinadas, que continuem a usar máscara e a seguir às normas de higiene respiratória.

Carlos Penha Gonçalves, imunologista e investigador da Fundação Gulbenkian de Ciência, explica que, durante o estudo, observaram uma resposta "robusta" nos anticorpos circulantes – “que normalmente são analisados para ferir a resposta imunológica”.

“Estávamos também à espera de uma resposta muito forte ao nível dos anticorpos que normalmente se localizam nas mucosas respiratórias e isso não aconteceu tanto. É uma resposta que neste novo tipo de vacinas RNA pode querer dizer que as pessoas estão protegidas de doença, mas é menos claro que elas possam estar protegidas de serem portadoras assintomáticas do vírus”, prossegue o investigador.

“Uma coisa que está pouco estudada nestas vacinas é a eficácia das vacinas em fazer com que as pessoas vacinadas não transmitam o vírus", afirma o investigador. "Deve-se ter em atenção que estas vacinas estão a ser usadas como um mecanismo de proteger da doença e da morte. Esse é o principal instrumento que nós temos para proteger a população dos efeitos mais nocivos da infeção."

O imunologista lembra também que a eficácia das vacinas ronda os 95%, o que significa que em cada 100 pessoas vacinadas, há cinco que não desenvolvem proteção à doença.

“Há uma coisa que temos de perceber todos: estas vacinas foram anunciadas como dando 95% de proteção de doença sintomática. O que estamos a ver é que há uma fração de pessoas – e isso é espectável – que têm doença depois de serem vacinadas. Se realmente a proteção é de 95%, quer dizer que em 100 pessoas vacinadas, se todas elas forem expostas ao vírus, cinco vão desenvolver doença”, explica Penha Gonçalves, acrescentando que a genética poderá ser um fator para que não se desenvolva a resposta imunológica.

Em relação à duração da imunidade, o imunologista afirma que ainda não é possível avançar com um período de tempo, mas afirma que estão a ser realizados estudos nesse sentido.

A investigação do Instituto Gulbenkian da Ciência recomenda ainda que não se aumente o intervalo entre as doses para além do período estabelecido pelo fabricante.