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Rio diz que situação em Odemira "envergonha" Portugal e questiona "o que fez o MAI"

FERNANDO VELUDO

Líder do PSD manifestou estranheza pelas notícias que referem que a PJ está a investigar "há mais de dois anos" denúncias de imigração ilegal e tráfico de pessoas.

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O líder do PSD, Rui Rio, afirmou esta quarta-feira que Portugal "tem todas as razões para se envergonhar" da situação dos trabalhadores imigrantes de Odemira e questionou "o que fez o Ministério da Administração Interna".

"Acho que Portugal todas as razões para se envergonhar de semelhante situação, não temos ali escravidão como era há 200 anos atrás, mas temos quase escravidão e a minha pergunta é: o que é que fez o Ministério da Administração Interna através, por exemplo, da GNR?", questiona Rui Rio, num excerto transmitido no Telejornal da RTP.

O líder do PSD manifestou ainda estranheza pelas notícias que referem que a Polícia Judiciária está a investigar "há mais de dois anos" denúncias de imigração ilegal e tráfico de pessoas.

"Eu pergunto: a investigar o quê? A pessoa vai a Odemira e ao fim de pouco tempo olha e vê as pessoas ali, tem as denúncias. Ficam mal os empresários que fazem aquilo, mas fica particularmente mal o poder público, seja através do Ministério da Administração Interna, seja do Ministério do Trabalho ou do Ministério da Justiça", refere.

"Agora vão todos para lá a correr, aquilo é uma vergonha", acrescenta.

Situações de tráfico humano em Portugal eram conhecidas pelo menos desde 2018

As denúncias de exploração e escravatura dos trabalhadores imigrantes no Alentejo e em outras regiões do país ocorrem há vários anos.

O Sindicato dos Inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) acusa o Governo de ignorar a situação e lembra que o tráfico de seres humanos surge sempre referido nos últimos relatórios anuais de segurança interna.

Foram sinalizados 155 casos de presumíveis vítimas de tráfico humano em 2020. Os dados constam do último Relatório de Segurança Interna, segundo o qual, ano após ano, “continuam a verificar-se situações de (presumível) tráfico de pessoas para fins de exploração laboral”.

A maioria dos casos é para trabalhos agrícolas, com prevalência nos distritos de Santarém e Portalegre.

Os trabalhadores são “maioritariamente nacionais da Roménia, Moldávia, Paquistão, Nepal e Índia” e foram recrutados para campanhas sazonais em locais cuja extensão geográfica “dificulta a atuação das entidades de fiscalização”.

Alguns dos crimes deram origem a grandes operações da Polícia Judiciária (PJ) no concelho de Odemira.

A PJ tem várias investigações em curso e, se recuarmos a 2018, o Relatório de Segurança Interna já fazia referência, por exemplo, à operação “Masline” – termo que significa azeitona em romeno.

Nesta operação, o SEF identificou, em Beja, “255 estrangeiros oriundos do leste europeu em situação de exploração laboral”. Estes trabalhadores eram sujeitos a condições degradantes ao nível do trabalho, alojamento e salubridade – idênticas às agora registadas em Odemira.

O SEF tem 32 inquéritos-crime a decorrer relacionados com tráfico humano e mão de obra ilegal no Alentejo. Seis deles pertencem à comarca de Odemira.