País

Estufas em Odemira fiscalizadas pelas autoridades 

Objetivo é apurar as condições de trabalho e saúde, sobretudo dos imigrantes asiáticos.

As autoridades fiscalizaram esta quarta-feira as estufas de frutos vermelhos, em Odemira.

A SIC acompanhou a operação levada a cabo por autoridades de saúde, Segurança Social, GNR, SEF, Proteção Civil e Autoridade para as Condições de Trabalho.

O objetivo é apurar as condições de saúde, trabalho e habitabilidade dos trabalhadores, sobretudo imigrantes asiáticos que prestam trabalho sazonal.

A investigação ocorre na sequência do surto de covid-19, entre estes imigrantes, e que obrigou à imposição do cordão sanitário nas freguesias de São Teotónio e Almograve.

Esta situação voltou a trazer à tona o fenómeno que dura há mais de uma década e que já motivou denúncias de várias organizações de defesa de imigrantes, do poder político local e da comunicação social. Em causa estão suspeitas de tráfico de pessoas e auxílio à imigração ilegal.

As precárias condições de vida e de habitabilidade são também uma das preocupações. Muitos migrantes são vítimas de redes internacionais que os controlam. Em alguns casos, de um dia para o outro, estas redes desaparecem sem deixar rasto e deixam estas pessoas desprotegidas em solo nacional.

A operação de fiscalização ocorre também poucos dias depois de o Governo ter determinado que as empresas agrícolas e estaleiros de construção civil que tenham mais de 10 funcionários, são obrigadas a fazer o registo diário dos trabalhadores ao serviço, sejam contratados diretamente ou através de empresas de trabalho temporário.

Suspeita de tráfico humano em Odemira. PJ confirma que tem várias investigações em curso

A Polícia Judiciária confirma que tem em curso várias investigações por suspeitas de tráfico de pessoas, em Odemira.

As investigações centram-se, sobretudo, nos empresários responsáveis pela vinda dos imigrantes para Portugal.

Compete à Unidade de Combate ao Terrorismo da PJ investigar, mas o diretor nacional diz que o que se passa no concelho não é uma matéria exclusiva do foro criminal e que Portugal precisa de receber e enquadrar devidamente os imigrantes.

Luís Neves lembra que, na mesma região, a PJ teve uma megaoperação, onde ficou comprovado que de facto havia escravidão de seres humanos, maus-tratos e exploração laboral e sexual.