Coronavírus

Sequelas da covid-19. "A persistência das queixas pode ser sinal de preocupação" 

Entrevista SIC Notícias

Carlos Robalo Cordeiro, diretor do Serviço de Pneumologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, na Edição da Tarde, da SIC Notícias.  

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Cerca de 40% das pessoas que tiveram covid-19 mantêm alguns sintomas três meses após a infeção. As queixas mais relatadas são fadiga, distúrbios e sintomas depressivos moderados a graves.

Carlos Robalo Cordeiro afirma que até aos três meses muitos dos sintomas da covid-19 podem persistir, mas, a partir daí, a persistência das queixas "já pode ser um sinal de preocupação".

Na SIC Notícias, fala sobre os sintomas, tais como perda de olfato, fadiga, cansaço, tosse, falta de ar, arritmias, ou até perda de cabelo, apetite ou vitalidade.

Após os três meses, se as queixas persistirem este é um sinal de preocupação e obriga a que estas pessoas sejam avaliadas. Ou seja, as sequelas podem ter um "impacto significativo" nos sistemas de saúde.

"Tendo mais de 900 mil infeções em Portugal, se pelo menos 10% tiver queixas para além dos três meses, isso implica quase 100 mil portugueses a terem de ser geridos nesta perspetiva."

Para Carlos Robalo Cordeiro, as áreas de pneumologia e cardiologia poderão ser das mais afetadas. Defende que terão de ser criados acessos para doentes que tenham mantido as queixas.

O diretor do Serviço de Pneumologia revela ainda que se está a verificar um aumento "muito significativo" de patologia de fibrose, com potencial evolução para fibrose pulmonar, uma sequela que pode ser difícil de reverter.