Coronavírus

Se chegarmos ao outono "com este vírus em circulação, estamos a pôr-nos a jeito", alerta especialista

Entrevista SIC Notícias

Miguel Castanho, Investigador do Instituto de Medicina Molecular, em entrevista na Edição da Tarde.

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Miguel Castanho, Investigador do Instituto de Medicina Molecular, concorda com o diretor do Centro de Vacinas de Oxford, Andrew Pollard, que admitiu ser impossível atingir a imunidade de grupo face à prevalência da variante Delta.

"A partir do momento em que, sobretudo contra a variante Delta, não há uma proteção total contra a infeção e transmissão, as pessoas vacinadas bloqueiam parcialmente a cadeia de transmissão", explica, acrescentando que o valor para a imunidade de grupo passa a ser "um valor superior" aos 70% anteriormente apontados.

O especialista defende que "temos de vacinar tantas pessoas quanto possível". No entanto, admite a possibilidade de não ser possível erradicar o vírus:

"Vamos ter de viver com ele".

Em entrevista da Edição da Tarde, Miguel Castanho salienta que neste momento, no pico do verão, e que as "condições são piores para o vírus e melhores para nós", os números estão elevados. Por isso, defende que o Governo devia ter sido mais criterioso no alívio de medidas e devia concentrar a vacinação nos jovens adultos.

"Existe ainda muito vírus em circulação. Teríamos de estar a fazer tudo o que fosse necessário para baixar a incidência", afirma, adiantando que se chegarmos ao outono "com este vírus em circulação, estamos a pôr-nos a jeito".

Vacinação suspensa no Queimódromo do Porto

Sobre a falha na cadeia de frio das vacinas do Queimódromo do Porto, o investigador explica que a "margem para não ficarem inutilizáveis" tem a ver com a natureza química dos componentes da vacina. Por exemplo, a da Pfizer precisa de um "frio muito intenso" devido à molécula RNA:

"Sem esse frio, a molécula, que é linear, parte-se, como um pneu furado de um carro. Deixa de ser funcional", esclarece, acrescentando que "em princípio, mal não faz. No pior dos cenários, não acontece nada".

Miguel Castanho aponta ainda dois tipos de medidas, face à falha no sistema de refrigeração: análise das vacinas e análise às pessoas vacinas para se perceber se houve um efeito esperado de anticorpos.