Coronavírus

Investigação aponta possíveis causas para o desenvolvimento de “dedos covid”

Casos tornaram-se menos comuns depois da vacinação.

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Um grupo de cientistas acredita ter descoberto a razão pela qual algumas pessoas infetadas com o coronavírus desenvolvem erupções cutâneas nos dedos dos pés e das mãos - uma condição apelidada de “dedos covid”.

O estudo, publicado na terça-feira no British Journal of Dermatology, identifica as partes do sistema imunitário que podem estar envolvidas no desenvolvimento desta condição e aponta possíveis tratamentos para o alívio dos sintomas.

Os “dedos covid” são erupções cutâneas nos dedos dos pés ou das mãos que se assemelham a frieiras ou lesões avermelhadas ou roxas. Foram associadas à covid-19 depois de vários casos relatados, sobretudo em crianças e adolescentes.

Para alguns, estas lesões são completamente inofensivas, mas há doentes que se queixam de dores, comichão e inchaço. Sofia, uma adolescente escocesa de 13 anos, deixou de conseguir andar depois de ter sofrido lesões nos dedos dos pés. De acordo com a BBC, chegou mesmo a precisar de uma cadeira de rodas para deslocações mais longas.

“Dedos covid”: como se desenvolve esta condição?

As mais recentes descobertas, baseadas numa série de exames ao sangue e à pele, sugerem que duas partes do sistema imunitário podem estar envolvidas: uma proteína antiviral chamada interferon tipo 1 e um anticorpo que ataca as próprias células e tecidos da pessoa e não apenas o vírus.

O estudo envolveu 50 pessoas com sintomas de “dedos covid” na primavera de 2020 e outras 13 com lesões semelhantes mas que não foram associadas a infeções com covid-19, já que ocorreram antes da pandemia ter sido declarada.

À BBC, o podólogo britânico Ivan Bristow disse que, para a maioria - como acontece com as frieiras comuns tipicamente observadas em pessoas com problemas de circulação - as lesões geralmente desaparecem por conta própria. Mas outros casos poderão necessitar de tratamentos à base de cremes ou medicamentos.

Veronique Bataille, dermatologista e porta-voz da British Skin Foundation, afirma que esta condição foi observada com muita frequência durante a fase inicial da pandemia, mas é menos comum na atual onda da variante Delta. A explicação pode estar relacionada com a vacinação.

“Os casos são muito mais raros depois da vacinação”, afirmou.

Os problemas de pele relacionados à covid-19 podem aparecer bastante tempo depois da infeção e em pessoas que não apresentam outros sintomas, razão pela qual a ligação com o vírus às vezes não é feita, explicou a dermatologista.

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