Crise no CDS-PP

António Pires de Lima anuncia saída do CDS-PP

Entrevista na íntegra

António Pires de Lima anuncia saída do CDS-PP
Bloomberg

Histórico militante do CDS-PP considera que o "partido bateu no fundo".

O histórico militante do CDS-PP, António Pires de Lima, anunciou este sábado, numa entrevista à SIC Notícias, a desfiliação do partido.

"Faço-o com enorme tristeza. Não tenho condições interiores de continuar a ser militante depois do que aconteceu", disse.

António Pires de Lima considera que o "partido bateu no fundo" e que é "fim da linha".

"A partir de amanhã deixarei de ser militante do CDS", adiantou.

"Voto no CDS desde os meus 18 anos, mas aquilo que se passou nas últimas 48 horas tem consequências", afirmou.

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Aos 59 anos, o antigo ministro da Economia deixa o partido do qual foi vice-presidente entre 2004 e 2005, tendo sido o braço direito de Paulo Portas.

"O que o presidente (Francisco Rodrigues dos Santos) fez nas últimas 48 horas é a maior desqualificação dos militantes do CDS", disse Pires de Lima à SIC Notícias.

A saída de Pires de Lima é anunciada horas depois de o ex-secretário de Estado, Adolfo Mesquita Nunes, ter também revelado que iria deixar o partido.

Adolfo Mesquita Nunes anunciou a desfiliação do CDS após 25 anos de militância no partido. Numa publicação no Facebook, diz que o partido em que se filiou deixou de existir.

Mesquita Nunes justifica a decisão na convicção de que o partido é estruturalmente diferente do partido em que se filiou e que serviu como dirigente.

Depois da desfiliação de Adolfo Mesquita Nunes, sucederam-se as manifestações de desagrado pela situação do partido.

As decisões surgem depois do Conselho Nacional dos democratas cristãos ter aprovado o adiamento do congresso para depois das legislativas.

MANUEL CASTELO-BRANCO TAMBÉM SAI

No Facebook, Manuel Castelo-Branco mostrou-se solidário com Adolfo Mesquita Nunes e também anunciou a saída do CDS.

"O CDS dos últimos dias foi semelhante ao Sporting de Bruno Carvalho, com enormes atropelos à legalidade e bom senso", escreveu.

No Facebook, acrescentou também:

"Está semana, depois de mais de 10 anos da liderança e uns 15 de filiação, assumo a minha orfandade ao projeto e apresentarei o meu pedido de desfiliação desta organização".

EX-DEPUTADA INÊS TEOTÓNIO PEREIRA E ANTIGO DIRIGENTE JOÃO MARIA CONDEIXA ABANDONAM CDS

A antiga deputada do CDS-PP Inês Teotónio Pereira e o ex-dirigente nacional centrista João Maria Condeixa anunciaram a sua desfiliação do partido, argumentando já não reconhecerem a formação política em que acreditaram e se filiaram há décadas.

"Todos aqueles que votaram nesta direção deviam hoje pedir desculpa aos militantes do CDS e aos seus apoiantes pela humilhação a que sujeitaram o partido. Pelo menos aqueles que têm um mínimo de decência. O CDS não é o mesmo partido que sempre foi - está mais perto do PCTP-MRPP - e eu não pertenço ali. Por isso, e ao fim de décadas de militância, desfilio-me hoje com enorme tristeza", justificou Inês Teotónio Pereira, numa publicação na rede social Facebook.

Inês Teotónio Pereira foi deputada do CDS-PP na XII Legislatura, saída das eleições legislativas de junho de 2011, que deram a vitória ao PSD, que veio a formar governo com o CDS-PP, então liderado por Paulo Portas.

Também o antigo dirigente centrista João Maria Condeixa anunciou a sua desfiliação do partido, em que militava há 24 anos, revelando que a decisão que toma não é "circunstancial, embora os mais recentes acontecimentos e o tribalismo vivido no seio do CDS a tenham precipitado".

"Acreditei num partido, pluralista e aberto, onde os costumes não tivessem de ser apenas os que costumam. Acreditei no tal partido que fosse capaz de ir libertando o Homem do Estado e fosse construindo o Estado em função do Homem e não o Homem em função do Estado. Esse partido não veio. Pior, foi adiado", argumentou, na carta de desfiliação que partilhou na rede social Facebook.

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