Eleições Legislativas

Debate Livre vs Chega: as interrupções, as acusações e o "farcismo"

Pouco se aproveitou de medidas e programas eleitorais neste confronto. Um caso pessoal dominou grande parte do debate e, depois, as hostilidades já estavam demasiado abertas para serem fechadas.

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Já se adivinhava um debate intenso, tendo em conta o que aconteceu em 2022, mas o frente a frente entre Rui Tavares e André Ventura na SIC Notícias em 2024 foi, de um lado, uma luta para expor ideias, por outra uma luta para interromper. Uma nota prévia, acabou por não ser tão prévia assim e dominou minutos, mas também o estado de espírito até ao fim.

O plano da moderadora Rosa Oliveira Pinto era arrancar com a Justiça, algo que o líder do Chega ainda avançou.

André Ventura continuou a insistir no aumento das penas, no confisco dos bens e ainda teve tempo para acusar o Livre de querer "tudo á solta e de volta para casa", dado serem contra o aumento das penas.

No meio disso, o líder do Chega ainda acusou o PS e PSD de quererem silenciar a Justiça "como fizeram no caso Casa Pia em Lisboa".

Mas a nota prévia de Rui Tavares, sobre imagens de um dos seus filhos nas redes sociais, acabou por ocupar a maioria do debate.

"Nos últimos dias, têm andado a circular pelos redes sociais, no pátio da escola onde os meus filhos estudam, tentando apontar hipocrisia. Quem fez arma de arremesso foi Pedro Frazão, deputado do Chega. Isto chega a um ponto em que põe em causa a segurança, quando falo da minha família, não se atreva a interromper. No seu partido há deputados que geram um ambiente no qual esta situação a segurança de crianças é posta em causa", acusou Rui Tavares.

André Ventura disse não saber ao que o deputado único se referia, mas ainda quis reforçar a questão: "a sua filha ou filho está num colégio?".

E Rui Tavares referiu que "existe um limiar de decência mínima em política" e que apesar de não acusar alguém do Chega ao divulgar a fotografia, disse que um deputado do Chega introduziu o tema como arma de arremesso político.

Depois, o deputado único tentou focar-se na questão da Justiça.

"André Ventura antes falava apenas da duplicação de penas, o que eu mencionei é que um confisco de bens é possível à escala da UE, sendo que existe uma diretiva que eu ajudei a legislar. Não é só fazer combate depois do ato, é preciso tornar inconcebível o ato, com um acompanhamento aberto, com participação cidadã", referiu.

André Ventura continuou a insistir no tema do colégio privado, insinuando que Rui Tavares fez acusações iguais à Mariana Mortágua com a sua avó.

Congratulou-se por andar na escola pública a vida, toda, e disse-se de consciência tranquila. E voltou a repetir que, se Rui Tavares tem filhos na escola privada é "hipocrisia" e "incoerência".

Mas Rui Tavares, tentando-se recompor, respondeu, ainda.

"Incoerência seria eu não defender a criação de uma escola internacional pública como tenho defendido, com todas as condições ºoes que temos em Portugal para ter escolas publicas especializadas, defender que a escola pública precisa de mais resposta e ser mais atrativa que a privada", disse.

André Ventura insistiu: "Mas a escola é privada ou é pública? Se for privada, o Rui Tavares não está a ser coerente, porque defende que a escola pública é o pilar da formação e tem o filho na escola privada. Maior incoerência política que eu alguma vez vi num debate".

No tema da política externa, o debate ficou marcado por várias acusações de ligações a outros regimes.

Ventura acusou Rui Tavares de ser amigo de Cuba e da Venezuela, enquanto Rui Tavares acusou Ventura de ser amigo de Viktor Órban, primeiro-ministro da Hungria, por sua vez, "próximo de Putin".

O líder do Chega ainda acusou o candidato do Livre de ter estado numa organização financiada por George Soros.

"A UE tem de fazer o seu trabalho de casa, tem de se reformar e na corrupção que é feita utilizando fundos europeus, com exemplo do governo da Hungria que é aliado de André Ventura, que é considerado o governante mais corrupto da UE. Toda a questão do combate à corrupção soa a uma farsa, Trump foi eleito prometendo combate à corrupção, não saiu antes de estoirarem o capitólio, Bolsonaro igual, e Orban também prometeu e é um dos governantes mais corruptos da europa. Eu acho que há um bom nome é o farcismo, farcismo nunca mais", reforçou Rui Tavares.

Com a Habitação como último tema do debate, já nem parecia fazer muito sentido continuar. Mas os candidatos continuaram.

Os jovens não conseguem aceder a habitação, disse Ventura.