Eleições nos EUA

Antony Blinken, o próximo secretário de Estado dos EUA

Jose Luis Magana

É um regresso à administração norte-americana.

O Presidente eleito dos EUA, Joe Biden, vai indicar Antony Blinken para a chefia da diplomacia, de acordo com um comunicado que refere já alguns outros nomes da nova equipa democrata.

Biden vai também indicar John Kerry, senador pelo estado de Massachusetts e ex-candidato presidencial, para liderar o combate às mudanças climáticas, e Alejandro Mayorkas como futuro secretário de Segurança Interna (que já desempenhou a função de subsecretário nesta pasta entre 2013 e 2016, no Governo de Barack Obama), ficando com a sensível área da migração.

"Preciso de uma equipa pronta desde o primeiro dia", escreveu Joe Biden no comunicado, explicando que as suas escolhas recaíram sobre "pessoas tão experientes e testadas como inovadoras e criativas".

O regresso de Antony Blinken à administração norte-americana

Jose Luis Magana

O futuro secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, 58 anos, foi vice-secretário de Estado e vice-conselheiro de segurança nacional durante o mandato do ex-Presidente Barack Obama (2009-2017) e tem relações muito próximas com Biden.

Os analistas dizem que, se for confirmado pelo Senado, Blinken procurará restabelecer a relação dos Estados Unidos com os seus aliados, que ficou fragilizada com a atitude unilateralista do Presidente cessante, Donald Trump.

Peças de uma equipa que serão o futuro dos EUA

Estes três nomes constituem peças da equipa que Biden está neste momento a montar para o seu futuro Governo, apesar de Trump não admitir a derrota nas recentes eleições presidenciais e continuar a contestar judicialmente o resultado em diversos estados, procurando impedir o processo de transição de poder.

Ao nomear Blinken, Biden tenta contornar questões potencialmente difíceis, que deveriam afetar a confirmação no Senado de outros dois candidatos na sua lista para a chefia da diplomacia norte-americana: Susan Rice e o senador Chris Coons.

Rice enfrentaria a oposição da maioria no Senado, já que ela foi muito contestada pelos republicanos pelas declarações que fez após os ataques contra norte-americanos em Benghazi, na Líbia, em 2012; Coons, membro do Comité de Negócios Estrangeiros do Senado, carece de experiência na gestão de questões diárias de política externa que Blinken conseguirá trazer para o cargo.

Começam a ser conhecidos outros nomes da equipa de Biden

Biden começou a anunciar as suas escolhas de gabinete por etapas e por setores e deverá dar prioridade às áreas da economia, segurança nacional e saúde pública.

Outros nomes começam a ser falados para a futura equipa presidencial, como Michele Flournoy, uma veterana do Pentágono, que poderá ser indicada para o cargo de secretária de Defesa, sendo a primeira mulher neste cargo, e Jake Sullivan, um conselheiro de longa data de Biden e Hillary Clinton, para conselheiro de segurança nacional da Casa Branca.

O Presidente eleito deverá contratar ainda a veterana diplomata Linda Thomas-Greenfield como embaixadora dos EUA nas Nações Unidas.

O próximo secretário de Estado participou recentemente num 'briefing' de segurança nacional com Biden e com a vice-Presidente eleita, Kamala Harris, tendo-se pronunciado sobre questões de política externa relacionados com a situação no Egito e na Etiópia.

O futuro chefe da diplomacia trabalhará num departamento que escapou às propostas de cortes de recursos humanos propostas por Donald Trump (e travadas pelo Congresso), mas que viu sair um número significativo de funcionários seniores, que se afastaram da carreira em discordância com a política externa do Governo republicano.

O Governo mais diversificado da história moderna?

Formado pela Universidade de Harvard e pela Columbia Law School, Blinken tem uma presença de longa data na área dos Negócios Estrangeiros, tendo trabalhado neste setor desde a era do Presidente Bill Clinton (1993-2001).

Biden prometeu construir o Governo mais diversificado da história moderna de forma muito célere, mas Ron Klain, o futuro chefe de gabinete de Biden, disse no domingo que a recusa de Trump em facilitar a transição de poder está a atrasar todo o processo de constituição de equipas.

Veja também: