Eleições nos EUA

Donald Trump aposta no “descrédito do processo” eleitoral

Luís Costa Ribas

Luís Costa Ribas

Impressões da América

O assessor do presidente apelou aos grandes eleitores republicanos para apresentarem os votos ao Congresso

O Colégio Eleitoral norte-americano reúne-se esta segunda-feira para votar o próximo presidente dos Estados Unidos da América. Joe Biden deverá ser nomeado sem surpresas, mas os apoiantes de Donald Trump podem tentar interferir com o processo eleitoral.

Luís Costa Ribas, correspondente da SIC nos Estados Unidos, explica que, apesar de ter perdido os recursos em tribunal, Donald Trump ainda poderá tentar interferir com a nomeação de Joe Biden.

O assessor do atual presidente encorajou, numa entrevista ao canal norte-americano Fox, os grandes eleitores de cada Estado, que iam apoiar Donald Trump, a apresentar também o seus votos e exigir que sejam contados. A tomada de posse do próximo Presidente dos Estados Unidos está marcada para 20 de janeiro, até lá mantém-se tudo em aberto.

“Donald Trump vai perder? Em princípio perde à mesma. Mas o que é que consegue? O descrédito do processo, o descrédito das instituições, menos confiança na democracia e o constante colocar em causa da legitimidade dos resultados da eleição e vitória de Joe Biden”, explica o jornalista.

Na nomeação do candidato há liberdade de voto. Nas eleições de 2016, pela primeira vez desde 1808, vários Grandes Eleitores votaram contra o candidato presidencial que deveriam representar: cinco democratas rebelaram-se contra a candidata presidencial Hillary Clinton (nos estados de Washington e Hawai) e dois republicanos rebelaram-se contra o candidato republicano Donald Trump (no Texas).

Falta de verbas pode atrasar distribuição das vacinas contra a covid-19

Segundo as sondagens, cerca de 60% da população norte-americana diz estar interessada em tomar a vacina contra a covid-19. O valor é relativamente baixo e deve-se, por um lado, à campanha anti-vacinas feita por Donald Trump durante os últimos anos e, por outro, os vários insultos feitos pelo atual presidente aos cientistas devido à gestão da pandemia, avança Luís Costa Ribas. Também há quem acredite que a administração de Trump esteve envolvida no processo de aprovação da vacina.

Esta segunda-feira começaram a ser distribuídas três milhões de vacinas, com a administração a garantir que há 20 milhões de vacinas disponíveis até ao final do ano. Biden quer que sejam vacinadas 100 milhões de pessoas nos primeiros 100 dias do seu mandato, ou seja, um milhão por dia.

No entanto, há alertas de que não haverá dinheiro suficiente para a distribuição proceder a um ritmo suficientemente rápido, uma vez que o Congresso aprovou as verbas para a criação da vacina, mas não para a distribuição da mesma.