Eleições nos EUA

Trump contacta republicanos para virar derrota eleitoral no Congresso

MICHAEL REYNOLDS

A contagem dos votos eleitorais de Joe Biden e a inerente confirmação dos resultados são o último passo da certificação do ato eleitoral.

O presidente cessante dos Estados Unidos da América, Donald Trump, ligou esta segunda-feira a senadores republicanos para tentar reverter, no Congresso, a derrota para Joe Biden nas eleições presidenciais de novembro.

"Acabei de estar ao telefone com o @realDonaldTrump. Ele quer que todos vocês liguem aos vossos representantes e senadores hoje, o dia todo", escreveu Marjorie Taylor Greene, recém-eleita para um dos lugares na Câmara dos Representantes, na plataforma Twitter.

As declarações de Taylor Greene, associada ao movimento 'QAnon', que concentra um conjunto de teorias da conspiração propagadas principalmente por apoiantes de Trump, surgem dias antes da sessão conjunta no Congresso norte-americano para a confirmação dos votos do Colégio Eleitoral, marcada para quarta-feira.

Esta sessão é a última esperança de Trump, uma vez que a contagem dos votos eleitorais de Biden e a inerente confirmação dos resultados são o último passo da certificação do ato eleitoral que abre caminho à tomada de posse no dia 20 de janeiro.

Este esforço de Trump surge depois da divulgação de uma gravação obtida pelo jornal Washington Post na qual o Presidente dos Estados Unidos pressiona a máxima autoridade eleitoral do estado da Georgia para manipular os resultados das eleições de novembro.

A gravação foi revelada no domingo, numa altura em que pelo menos 12 senadores e uma centena de legisladores republicados pretendem mostrar-se contra a ratificação da vitória eleitoral de Joe Biden.

A revelação do Washington Post, já conhecida nas redes sociais como "#Georgiagate", numa referência ao caso Watergate, está a provocar um terramoto político na capital norte-americana.

Mesmo assim, a maioria dos membros do Partido Republicano mantém-se em silêncio.

Na gravação noticiada pelo jornal ouve-se Donald Trump a pedir ao secretário de Estado da Georgia, Brad Raffensperger, a máxima autoridade eleitoral do estado, que "procure votos onde seja necessário para anular a vitória de Biden".

Em dezembro, depois das duas recontagens dos votos, as autoridades da Georgia certificaram a vitória de Biden, que foi o primeiro democrata a vencer o estado desde 1992, ano em que Bill Clinton ganhou as presidenciais.

No fim de semana, antes da publicação da notícia do Washington Post, cresceu o apoio a Donald Trump com 12 senadores e mais de uma centena de legisladores a oporem-se à ratificação dos resultados.

Esta coligação de apoiantes garante que rejeitará as contagens a não ser que o Congresso crie uma comissão para a realização imediata de uma auditoria aos resultados eleitorais, algo que deverá estar destinado ao fracasso.

Entre os senadores que impulsionaram a iniciativa encontra-se o texano Ted Cruz, que aspira à nomeação como candidato republicano em 2024 e pretende conseguir as bases de apoio leais a Donald Trump, e o senador do Missouri Josh Hawley.

Por outro lado, um grupo de 10 outros senadores, incluindo o antigo candidato presidencial Mitt Romney, que em 2012 disputou as eleições frente a Barack Obama, considera que "a eleição de 2020 já terminou".

Outros responsáveis republicanos, como o governador do estado do Maryland, Larry Hogan, ou o antigo presidente da Câmara dos Representantes Paul Ryan.

Esta segunda-feira começa a 117.ª legislatura do Congresso dos Estados Unidos, com a reeleição da presidente da Câmara dos Representantes Nancy Pelosi, do Partido Democrata, mas com o Senado como uma incógnita porque não se sabe que partido vai dominar o órgão depois da segunda volta das eleições senatoriais de terça-feira na Georgia.