Presidenciais

Presidenciais. Campanha em torno de incerteza após Marcelo testar positivo à covid-19

PEDRO PINA

Quando faltam 13 dias para as eleições, a campanha voltou a sofrer um revés, depois de se saber que Marcelo Rebelo de Sousa está infetado com o novo coronavírus.

A notícia da infeção do Presidente da República aumentou ainda mais a incerteza em torno da campanha das presidenciais, no dia em que decorre a reunião no Infarmed e o debate na RTP que deveria juntar todos os candidatos.

Quando faltam 13 dias para as eleições, a campanha voltou a sofrer um revés, depois de se saber, na noite de segunda-feira, que o Presidente da República e recandidato, Marcelo Rebelo de Sousa, está infetado com o novo coronavírus, mas assintomático.

O chefe de Estado previa estar presencialmente, às 10:00, na reunião com epidemiologistas sobre a evolução da pandemia em Portugal, no Infarmed, em Lisboa, que junta também o primeiro-ministro, o presidente do parlamento e líderes partidários, e depois receber os partidos com representação parlamentar para discutir a renovação do estado de emergência.

Ainda não há informação sobre se Marcelo Rebelo de Sousa vai assistir virtualmente a esta reunião, tal como vão fazer os restantes seis candidatos.

O Presidente da República não tinha ações de campanha previstas, até dia 18, por estar em vigilância depois de ter tido um contacto com um elemento da sua Casa Civil infetado com o novo coronavírus. A confirmação de que está infetado levou ao cancelamento de toda a sua agenda oficial.

Depois de saber da infeção do Presidente da República, o candidato e presidente do Chega, André Ventura, disse à agência Lusa que vai ficar em isolamento profilático "por segurança", uma vez que esteve a debater com Marcelo Rebelo de Sousa na televisão.

Ana Gomes e Marisa Matias fizeram o mesmo, ou seja, decidiram suspender a campanha pelo menos até serem testadas e conhecerem os resultados.

O candidato comunista João Ferreira, que tinha uma ação de campanha com a deputada socialista Isabel Moreira em Lisboa, disse aguardar também por indicações das autoridades sanitárias.

Vitorino Silva disse falou com linha SNS24, que lhe disse que não é "contacto de risco", uma vez que debateu com o Presidente na quinta-feira, e que pode "continuar a campanha, obviamente com cuidados". Sendo assim, o candidato tem planeada uma visita, às 15:00, à sede do rancho folclórico "Dançar é Viver", na freguesia da Encosta do Sol, concelho da Amadora.

Tiago Mayan Gonçalves não tem agenda planeada para esta terça-feira, além da reunião no Infarmed, que também vai acompanhar virtualmente.

Às 21:50, os sete candidatos tinham previsto o debate que envolverá todos os pretendentes a Belém, transmitido na RTP1 e RTP3 a partir do Pátio da Gale, em Lisboa. Contudo, ainda não é possível saber em que moldes é que se realizará agora o debate, se é que vai acontecer de todo, tendo em conta a infeção de Marcelo e suspensão das campanhas de André Ventura, Marisa Matias e Ana Gomes.

As diretrizes e restrições impostas para conter a disseminação do SARS-CoV-2 estão a obrigar as candidaturas a alterar com frequência os planos de campanha.

As presidenciais, que se realizam em plena pandemia de covid-19 em Portugal, estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

"A CAMPANHA PODE EM TEORIA ACABAR"

Ricardo Costa considerou que "os candidatos vão ficar nas mãos da Direção-Geral da Saúde", porque o Presidente da República esteve em contacto com todos nos debates televisivos.

Em análise na SIC Notícias fala em "efeito em cadeia", recordado alguns dos debates e encontros que Marcelo Rebelo de Sousa teve durante os últimos dias.

"Pode não haver candidatos para fazer campanha na rua"

Em relação à campanha eleitoral, onde Marcelo é candidato presidencial, Paulo Baldaia considera que poderá ter chegado ao fim, porque "qualquer um dos candidatos pode ter de ficar em isolamento profilático" e pode "não haver candidatos para fazer campanha na rua".

Já a politóloga Marina Costa Lobo alerta para a importância de tranquilizar os mais velhos de que é seguro ir votar no dia 24 de janeiro, considerando que a campanha vai acontecer "na televisão (...) e um pouco pelas redes sociais".