Presidenciais

Livre acusa Marcelo e PS de desvalorizarem as eleições e apela à união da esquerda

O primeiro-ministro António Costa e o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa

Eraldo Peres

"Fica agora patente a necessidade de uma resposta coesa e clara da esquerda".

O Livre acusou Marcelo Rebelo de Sousa de desvalorizar a campanha eleitoral das presidenciais, acusou o PS de se ter "encostado" à popularidade do Presidente e apelou a uma "resposta clara" da esquerda contra a extrema-direita.

Numa nota enviada às redações, os dirigentes do partido que apoiou a candidatura de Ana Gomes começaram por desejar "um bom mandato" ao Presidente reeleito, Marcelo Rebelo de Sousa.

"Saudamos a coragem de Ana Gomes em avançar para uma candidatura difícil, mas necessária. É necessário afirmar os valores da liberdade e da democracia, é preciso lutar pela sustentabilidade ecológica e pelo europeísmo construtivo, é urgente afirmar a justiça social como desígnio da sociedade portuguesa", sublinharam os membros do partido.

Para o partido da papoila, "a recusa de Marcelo Rebelo de Sousa em participar ativamente na campanha eleitoral contribuiu para que a narrativa destas eleições fosse marcada, em grande medida, pela extrema-direita".

A responsabilidade do PS

Mas as críticas não se ficaram por aí, com o partido a responsabilizar também o PS pelos resultados eleitorais: "a maioria de esquerda que governa o país tem também enormes responsabilidades, desde logo o Partido Socialista, que se encostou à popularidade do atual Presidente e desvalorizou esta eleição, tentando esvaziá-la, não se posicionando nem apoiando a candidatura do seu campo político".

"Fica agora patente a necessidade de uma resposta coesa e clara da esquerda contra o progredir da xenofobia, da divisão e erosão democráticas, e da falta de empatia. Contamos com todas as forças progressistas e de esquerda para participar nesta luta, deixando de lado a criação de fossos que colocam em causa o avanço do progressismo, de mais ambiciosos objetivos ecológicos e da igualdade em Portugal", apelaram.

O partido alertou ainda para a necessidade "das próximas eleições autárquicas serem preparadas com antecipação, dando à CNE [Comissão Nacional de Eleições] os meios necessários para que o direito ao voto seja garantido a todos".

Por fim, apesar de sublinharem que "a extrema-direita não alcançou nenhum dos objetivos a que se propôs", o Livre salientou que, "ainda assim, atingiu uma votação significativa, numa campanha assente em insultos e mentiras para enganar os portugueses e semear a discórdia".

"Que esta derrota não deixe nenhum democrata sossegado, porque a extrema-direita está cada vez mais organizada no nosso país e apenas uma política convergente de esquerda e apostada em resolver os problemas das pessoas poderá fazer-lhe frente", remataram.

AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS AO MINUTO