Presidenciais

"Sinto-me profundamente honrado". O discurso de vitória de Marcelo Rebelo de Sousa

Marcelo foi reeleito Presidente da República.  

Marcelo Rebelo de Sousa foi este domingo reeleito Presidente da República, vencendo as eleições com 60,7% dos votos, mais de 2,53 milhões de votos.

O Presidente reeleito começou o discurso lembrando as vítimas de covid-19 e afirmou depois que estava "profundamente honrado" pela confiança manifestada pelos portugueses "em condições tão difíceis".

"Deixem-me dizer, de coração aberto, como me sinto profundamente honrado e agradecido por essa confiança em condições tão mais difíceis do que as de 2016", declarou Marcelo Rebelo de Sousa, num discurso feito no átrio da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde foi aluno e professor.

Deixou um agradecimento a todos os portugueses, os que votaram, os que não conseguiram, os que não quiseram e aqueles que estiveram por trás do ato eleitoral.

"Para todos eles, em particular os que mais se sacrificaram para que a democracia não fosse vencida pela pandemia, vai uma palavra de gratidão ilimitada pelo serviço que prestaram à liberdade, ao Estado de direito e a Portugal."

Marcelo defende revisão legislativa antes de novas eleições

O Presidente da República reeleito defendeu a necessidade de uma revisão legislativa antes de novas eleições, "daquilo que se concluiu dever ser revisto", e também para que se possa avançar com a possibilidade do voto por correspondência.

No seu discurso de vitória, Marcelo Rebelo de Sousa prometeu "tudo fazer para persuadir quem pode elaborar leis a ponderar a revisão antes de novas eleições daquilo que se concluiu dever ser revisto, para ajustar a situações como a vivida".

E prosseguiu: "Mais em geral, para ultrapassar objeções ao voto postal ou por correspondência, objeções essas que tanto penalizaram os votantes, em especial os nossos compatriotas espalhados pelo mundo. Compreendi este outro sinal e insistirei para que seja finalmente acolhido".

"Confiança renovada é tudo menos um cheque em branco"

O chefe de Estado afirmou ter a noção de "que os portugueses, ao reforçarem o seu voto, querem mais e melhor", seja "em proximidade, em convergência, em estabilidade, em construção de pontes, em exigência, em justiça social e de modo mais urgente, em gestão da pandemia".

"Entendi esse sinal e dele retirarei as devidas ilações", sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa, afirmando ter "a exata consciência que a confiança agora renovada é tudo menos um cheque em branco".

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que os portugueses mostraram nestas eleições presidenciais que rejeitam o extremismo e prometeu estabilizar e unir o país.

Promete "continuar a ser um Presidente de todos e de cada um dos portugueses, um Presidente próximo, um Presidente que estabilize, um Presidente que una, que não seja de uns, os bons, contra os outros, os maus, que não seja um Presidente de fação, um Presidente que respeite o pluralismo e a diferença, um Presidente que nunca desista da justiça social".

O chefe de Estado assinalou que foi reeleito com mais votos e maior percentagem do que em 2016, o que apontou como sinal de que os portugueses "querem mais e melhor em proximidade, em convergência, em estabilidade, em construção de pontes, em exigência, em justiça social, e de modo mais urgente em gestão da pandemia".

Portugueses não querem "uma radicalização"

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, o voto dos portugueses respondeu "à pergunta crucial acerca do que não querem e do que querem para Portugal nos próximos cinco anos", e não querem, entre outras coisas, "uma radicalização e um extremismo nas pessoas, nas atitudes, na vida social e política".

"Não querem uma pandemia infindável, uma crise económica sem termo à vista, um empobrecimento agravado, um recuo na comparação com outras sociedades, desde logo europeias, um sistema político lento a perceber a mudança", considerou.

O Presidente da República elegeu o combate à pandemia como prioridade única imediata, mas nos objetivos para os próximos anos incluiu "refazer os laços desfeitos, quebrar as barreiras erguidas, ultrapassar as solidões multiplicadas, fazer esquecer as xenofobias, as exclusões, os medos instalados. Temos de recuperar e valorizar todos os dias as inclusões, as partilhas, os afetos, as cidadanias esvaziadas pela pobreza, pela dependência, pela distância".