João Fernando Cotrim de Figueiredo. Economista, gestor, empresário e (agora) político. Benfiquista ferrenho, gosta de andar de mota, do Alentejo e de rock progressivo. Aos 64 anos, com quatro filhos e quatro netos, o empresário sénior que saltou para a política 'acidentalmente' há seis anos é um dos candidatos às eleições presidenciais de 18 de janeiro de 2026.
Nasceu em Lisboa no dia 24 de junho de 1961. Não nasceu em berço de ouro, mas também nunca 'passou dificuldades'. A criança tímida, como confessou ser no podcast Geração 60, estudou até aos 18 anos na Escola Alemã de Lisboa. Afinal, o avô era apreciador da disciplina alemã.
No seio de uma família sem luxos e com duas irmãs, teve uma infância feliz. Recorda os sons e os cheiros das férias de verão na terra natal da avó materna, na zona de Vouzela, distrito de Viseu, e as festas de família.
Com 15 anos, em junho de 1976, o menino pacato andava a vender de porta em porta pelas ruas de Lisboa. "De pequenino se torce o pepino", já dizia o ditado popular. O negócio dos cabides Manequim nasceu pelas mãos do bisavô e passou de geração em geração.
Dois anos depois, numa altura em que era raro jovens portugueses saírem do país para estudar, rumava a Londres para frequentar a London School of Economics. No verão e já depois enquanto estudava, acumulou vários trabalhos para ajudar a pagar as despesas em Inglaterra. "Aprendi que as pessoas olham para quem está a servir como se fossem invisíveis. Isso marcou-me", confessou no Geração 60.
De regresso a Lisboa e licenciado em Economia, fez um MBA em Administração, Negócios e Marketing pela Universidade Nova. Esperava-o o mundo dos negócios.
Não sonhou ser eurodeputado nem Presidente da República. Na verdade, sempre quis ser "empresário, gerir e criar coisas", confessou no Geração 60. Era esse o seu sonho de infância. E foi concretizado. É onde se sente bem e tem "tudo o que gosta".
Mas já lá vamos.
Homem "de valores" com sentido de humor "desarmante"
Cotrim Figueiredo tem quatro filhos e quatro netos. Admite ser benfiquista ferrenho. Gosta de andar de mota, do Alentejo, de música, sobretudo rock progressivo. "A vida de Brian", dos Monty Python é o filme favorito.
O advogado - e amigo há décadas - João Vieira de Almeida descreve João Cotrim Figueiredo, num vídeo partilhado pelo liberal nas redes sociais, como um homem "bom, de valores", que adora um "bom debate" e uma "ótima companhia" com um sentido de humor "desarmante" e um sentido crítico "muito apurado".
A ex-colega e amiga Cristina Ferreira salienta a simpatia e respeito pelo outro. "Foi das poucas pessoas que [quando trabalhava na TVI] sabia o nome de toda a gente. Cumprimentava toda a gente pelo nome", afirma, num vídeo também publicado por João Cotrim Figueiredo.
Na mesma linha, a apresentadora de televisão Iva Domingues destaca, numa publicação de apoio ao candidato presidenciais, a "forma de tratar os outros, o rigor com que trabalha, a clareza com que pensa e a forma como interpreta o mundo". Apesar de se "posicionar mais à esquerda", reconhece que Cotrim é a "opção mais adequada" para a Presidência da República pela "inteligência, simpatia, sentido de humor, competência, seriedade, retidão e sólido sentido de Estado".
No mundo dos negócios...
Antes de se dedicar à política, esteve à frente de várias empresas de diferentes ramos. Entrou no mercado de trabalho em 1985, no setor financeiro.
Trabalhou na Compal, entre 2000 e 2006, e na Nutricafés de 2003 a 2006. Administrou a Privado Holding, dona do Banco Privado Português (BPP), depois da saída de João Rendeiro. Seguiu-se a TVI, onde foi diretor-geral durante cerca de dois anos.
Em 2013, a convite de António Pires de Lima, João Cotrim Figueiredo entrou no Turismo de Portugal, onde foi presidente do Conselho Diretivo. Neste período, esteve envolvido nas negociações para trazer a Web Summit para Portugal.
Dois anos mais tarde, foi eleito vice-presidente da European Travel Commission, órgão que reúne organismos de turismo de 33 países europeus.
Foi também acionista e administrador da Jason Associates e da Faber Ventures.
Do mundo empresarial para a política
João Cotrim Figueiredo chegou à política em 2019. Em julho desse ano, anunciou - com surpresa, até para o próprio - a candidatura à Assembleia da República como cabeça de lista da Iniciativa Liberal.
Aceitou um convite inesperado por já não conseguir "ficar sentado enquanto o país marca passo e não dá à geração dos meus filhos metade das oportunidades" que a sua geração teve.
Foi o primeiro deputado eleito pela Iniciativa Liberal na Assembleia da República.
A seguir, saltou do Parlamento português para o Parlamento Europeu, onde é eurodeputado desde 2024. No Geração 60, reconheceu que nem tudo é o que pensava em Bruxelas.
"Gostava que a política europeia resolvesse o problema das pessoas", acrescentou.
E a corrida a Belém?
O anúncio de que se ia candidatar à Presidência da República chega no verão de 2025. Cinco meses antes, tinha afastado essa possibilidade porque "não o fascinaria" por ser "muito cerimonial".
Mas mudou de ideias.
A apresentação oficial da candidatura aconteceu a 2 de novembro, no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa. Escolheu José Miguel Júdice, ex-militante do PSD e comentador político, como mandatário nacional pela independência e clareza de pensamento do antigo bastonário dos advogados.
Ainda antes de decidir avançar com a candidatura, começou a escrever uma autobiografia, a convite da Zigurate. O livro "Porque sou liberal" já chegou às livrarias.
Apesar de se assumir como uma figura independente sem estar "preso a lógicas partidárias", a candidatura de Cotrim Figueiredo conta com o apoio da Iniciativa Liberal. Também Sophie Wilmès, antiga primeira-ministra da Bélgica e atual vice-presidente do Parlamento Europeu, declarou apoio ao colega, justificando que é "um reformador, um fazedor e um líder" e que em Bruxelas já se sentiu "o efeito Cotrim".
O liberal está habituado a liderar, tanto na política como nos negócios. Para a corrida a Belém, a convicção do pai, avô, gestor, empresário e candidato presidencial João Cotrim Figueiredo é a mesma desde o início: ir à segunda volta.

