De todos os candidatos presidenciais, houve um que ficou mais esclarecido do que os outros com as explicações do Ministério Público sobre as escutas que envolvem António Costa.
“Eu já me pronunciei sobre este assunto e nem mais uma palavra até porque não justifica. A minha grande prioridade em matéria de acordos de regime é um acordo de regime na área da justiça. Os dois principais partidos, PS e PSD, parecem estar condicionadas neste matéria, então tem de ser o Presidente da República, que ainda por cima conhece estas matérias como é o meu caso, a aproximar os partidos para haver uma reforma neste setor”, diz Luís Marques Mendes, candidato à Presidência da República.
“O Ministério Público veio esclarecer e hoje há um cenário completamente diferente do cenário alarmista que existiu na altura. A justiça tem de esclarecer em tempo oportuno, tem de ser competente e, volto a dizer, tem de fazer justiça a tempo e horas”, diz António José Seguro, candidato à Presidência da República
“Já se pode dizer que, se há várias versões e se continuam a haver dúvidas sobre o que se passou, a comunicação da Procuradoria-Geral da República não está a ser muito eficaz. Por isso, a PGR tem de ser mais rápida a reagir a estes casos, tem de ser mais clara em relação ao que se passou e dar versões definitivas sobre as quais nos possamos pronunciar”, diz João Cotrim de Figueiredo, candidato à Presidência da República
A justiça volta a entrar em força na pré-campanha e os candidatos apoiados pelos partidos mais à esquerda são também os mais críticos.
“Se ninguém está acima da lei, o Ministério Público e a justiça também não estão em cima da lei e eu acho que isto é um caso gravíssimo do ponto de vista do estado de direito porque quando a justiça não cumpre a justiça, é uma insegurança absoluta”, diz Catarina Martins. candidata à Presidência da República
“É muito grave e muito preocupante. Eu acho que há uma matéria que não pode haver causas técnicas porque tem uma gravidade enorme porque não é aceitável que escutas telefónicas, que é um meio muito intrusivo de investigação criminal sejam efetuadas perante um chefe do governo de uma forma ilegal. E creio que ao nível da Procuradoria-geral da República têm de ser tiradas ilações e apuradas responsabilidade”, diz António Filipe, candidato à Presidência da República
O Presidente da República tem mais dúvidas do que certezas sobre o que aconteceu e pede mais explicações.
“Não sei se foi por erro técnico, não sei por que razão foi. Certamente que um dia se haverá de perceber e explicar . Mas, a sensação que se tem é de que aquilo que se passou não aplicou a lei como deveria ter sido aplicado. Mas em relação a um primeiro-ministro naturalmente que tem uma incidência e uma gravidade maiores. Se se passou não sendo cumprida a lei, não deve voltar a passar-se no futuro”, afirma Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República
Fica a dica que sirva de lição para o futuro onde já não será este o Presidente da República.
