País

Operação Influencer: José Luís Carneiro exige "cabais esclarecimentos" do PGR sobre escutas de Costa

O secretário-geral do PS considerou da "maior gravidade que não tenha sido cumprida, por parte do Ministério Público, a obrigação legal de apresentar de imediato ao Supremo Tribunal de Justiça" escutas envolvendo um primeiro-ministro em exercício de funções.

Operação Influencer: José Luís Carneiro exige "cabais esclarecimentos" do PGR sobre escutas de Costa
RODRIGO ANTUNES/LUSA

O secretário-geral do PS considerou esta sexta-feira que o procurador-geral da República "deve dar cabais esclarecimentos" ao país sobre as escutas que envolveram o ex-primeiro-ministro António Costa e sobre as consequências que retira quanto ao apuramento das responsabilidades.

Numa declaração enviada à agência Lusa à chegada a Toronto, José Luís Carneiro considerou da "maior gravidade que não tenha sido cumprida, por parte do Ministério Público, a obrigação legal de apresentar de imediato ao Supremo Tribunal de Justiça" escutas envolvendo um primeiro-ministro em exercício de funções.

"Em matéria desta natureza, e estando em causa a escuta de um primeiro-ministro, é o próprio procurador-geral da República que deve dar cabais esclarecimentos ao país, como também deve anunciar as consequências que retira em termos de apuramento das responsabilidades", sustentou.

PS vai aguardar pelas explicações do PGR

O líder do PS adiantou que o partido aguardará pelas explicações que forem dadas por Amadeu Guerra para anunciar "as iniciativas que irá propor para que esse apuramento de responsabilidades seja efetivo e sejam extraídas as devidas conclusões e consequências".

A defesa de António Costa reiterou esta sexta-feira que o Ministério Público deve esclarecer a razão pela qual as escutas que envolveram o ex-primeiro-ministro não terão sido detetadas e enviadas ao Supremo Tribunal de Justiça.

Numa reação enviada à Lusa, a propósito do esclarecimento feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre as escutas feitas no âmbito da Operação Influencer, os advogados João Lima Cluny e Diogo Serrano consideraram que "no mínimo, cumpre ao Ministério Público esclarecer a efetiva razão pela qual vem agora afirmar que escutas telefónicas que envolviam o então primeiro-ministro de Portugal não foram, alegadamente, detetadas e não foram, em tempo, e no cumprimento do disposto na lei".

"Cumpre, aliás, ao Ministério Público apurar as responsabilidades para tal ter sucedido e adotar as medidas que se impõem", acrescentou a defesa de António Costa.

A PGR reconheceu esta sexta-feira que foram identificadas sete escutas em que o ex-primeiro-ministro era interveniente e que não foram comunicadas ao Supremo Tribunal de Justiça "por razões técnicas diversas".

Em comunicado, a PGR explicou que, recentemente, "no decurso de nova análise a todas as escutas realizadas" no âmbito da Operação Influencer, foram identificadas sete escutas, "em que também era interveniente o primeiro-ministro António Costa, facto que, por razões técnicas diversas, não havia sido detetado inicialmente".

Em 7 de novembro de 2023, foram detidas e posteriormente libertadas no âmbito da Operação Influencer cinco pessoas, incluindo o então chefe de gabinete de Costa, Vítor Escária.

Há suspeitas de crime na construção de um centro de dado em Sines, distrito de Setúbal, na exploração de lítio em Montalegre e Boticas, ambas no distrito de Vila Real, e na produção de energia a partir de hidrogénio, também em Sines. O caso levou à queda do Governo de maioria absoluta do agora presidente do Conselho Europeu.