André Ventura, apoiado pelo Chega, e João Cotrim de Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal (IL) defrontaram-se, esta noite, em simultâneo, na SIC e SIC Notícias. Este foi o 25.º debate do ciclo de 28 para a corrida à Presidência da República, que acontece no próximo dia 18 de janeiro.
O debate começou com o tema que marcou a política nacional nesta sexta-feira: a divulgação da lista com os 22 clientes da empresa familiar de Luís Marques Mendes. Questionados sobre se estariam dispostos a adotar a mesma postura relativamente a negócios passados na sua atividade privada, André Ventura e João Cotrim de Figueiredo aproximaram-se nas respostas, afirmando que não têm nada a esconder e que sempre defenderam a transparência na política.
Se o tema inicial os aproximou, os seguintes evidenciaram divergências profundas, provocando momentos de clara tensão entre os candidatos à Presidência da República.
O que pensam sobre a Lei da Nacionalidade?
No passado, João Cotrim de Figueiredo afirmou que promulgaria as alterações e a nova versão da Lei da Nacionalidade e voltou agora a defender a sua atualização, rejeitando alterações ao Código Penal: “Um braço de ferro neste momento com o Tribunal Constitucional seria adiar a entrada em funcionamento desta lei”, afirmou.
Por sua vez, Ventura insiste que quem comete crimes em Portugal deve ser expulso e perder a nacionalidade, reforçando que não vai abdicar dessa medida. João Cotrim de Figueiredo alerta, porém, que, devido a esta insistência, a lei corre o risco de voltar a ser chumbada pelo Tribunal Constitucional.
O candidato apoiado pelo Chega acusa João Cotrim de Figueiredo de ter votado a favor do Pacto das Migrações da União Europeia, durante o seu mandato como eurodeputado, assim como do acordo UE-Mercosul.
Donald Trump vs. Europa: de que lado vai estar Portugal?
Questionado sobre a sua posição face às declarações de Donald Trump sobre a alegada falta de segurança na União Europeia, André Ventura voltou a insistir no controlo do fluxo de migrantes, sem responder diretamente de que lado estaria se fosse eleito Chefe de Estado.
João Cotrim de Figueiredo defendeu que os países têm a obrigação de ajudar a Europa a reformar-se e acusou o opositor de ter apenas dois temas na agenda: imigração e corrupção.
Qual o candidato que conquista os eleitores mais jovens?
As mais recentes sondagens apontam para um aumento da preferência dos eleitores mais jovens (18-24 anos) por João Cotrim de Figueiredo, enquanto André Ventura perde terreno nesse segmento.
O candidato apoiado pela IL defende que apresenta soluções concretas para os problemas em vez de apenas fazer “alarido”. Já Ventura afirma que prefere dirigir-se a todos os eleitores, e não apenas a um segmento específico: "O João é o candidato do Príncipe Real, eu sou do país real."
José Sócrates também entrou no debate
A certa altura, os ânimos exaltaram-se quando o nome de José Sócrates entrou na discussão. João Cotrim de Figueiredo afirmou que André Ventura deixou de ser inspetor tributário para dar conselhos a milionários sobre como fugir aos impostos, recordando o momento em que o opositor foi chamado a testemunhar num caso de vistos gold, que envolvia um amigo de José Sócrates.
André Ventura rebateu, afirmando que essas declarações são falsas, garantindo nunca ter votado no antigo primeiro-ministro. Acusou ainda Cotrim de Figueiredo de ter feito o “jogo de Sócrates” e de ter estado na origem do despedimento de Manuela Moura Guedes, então jornalista da TVI.
[Artigo atualizado às 22:46]
