O candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo diz que continua a acreditar na necessidade de despartidarizar a Presidência da República, apesar de ser já sabido que não irá à segunda volta.
O Almirante fala ao país após felicitar os candidatos António José Seguro e André Ventura.
Adianta que a decisão de se candidatar à Presidência da República foi "ponderada", perante desafios "exigentes" do país. "Senti que podia dar um contributo útil ao serviço de Portugal e dos portugueses", acrescenta.
Candidatou-se pela "convicção" de que a Presidência da República pode ser um "espaço de união e não de divisão". No mesmo sentido, acrescenta que defende a despartidarização da Presidência da República.
"O país beneficia quando o Presidente é visto como um garante de equilíbrio, de estabilidade e de proximidade de todos os portugueses", declara.
Queria trazer "lutada de ar fresco" e de mostrar que é possível servir o país "sem amarras partidárias".
Henrique Gouveia e Melo, que diz estar honrado pela experiência, admite que os resultados "não corresponderam" ao esperado: "Assumo com serenidade e respeito absoluto pela vontade democrática dos portugueses".
O ex-chefe do Estado-Maior da Armada defende que, apesar do resultado, o movimento em torno da sua candidatura "constituiu uma lufada de ar fresco".
"Depois de 45 anos a servir Portugal, posso afirmar com clareza que o país continuará a contar comigo, com a minha participação cívica, com a minha e com o meu empenho na defesa dos valores que sempre me orientaram", salienta.
"É causa ou consequência?"
Questionado sobre o que poderá ter explicado o seu resultado eleitoral, já que nas sondagens de há seis meses estava colocado em primeiro lugar, o ex-chefe de Estado-Maior da Armada respondeu o seguinte sobre os estudos de opinião:
"Há sempre uma dúvida que fica no ar a partir de agora. É causa ou consequência?" e acrescentou: "A minha proposta, enquanto democrata, é que no período que precede a decisão eleitoral não deve haver um período de sondagens".
Interrogado sobre se o movimento cívico de apoio à sua candidatura vai ser extinto, Gouveia e Melo não respondeu, afirmando apenas que agradece "a confiança desses portugueses" e que falará "mais tarde" quando "achar que for oportuno".
"Ainda é muito cedo para conseguir analisar com alguma profundidade o que aconteceu ou deixou de acontecer", disse.
O almirante deixou ainda críticas à forma como a campanha eleitoral foi conduzida: "Na minha muito modesta opinião, não estivemos verdadeiramente numas eleições presidenciais. Estivemos numas eleições legislativas e, consequentemente, por isso, um candidato independente ressentiu o seu apoio, ressentiu-se desse processo", declarou.