Pela primeira vez em eleições presidenciais desde o 25 de Abril, o voto nulo superou o voto em branco.
Estas eleições presidenciais tiveram o maior número de candidatos de sempre: 11. No boletim de voto constavam 14 candidaturas, mas três deles foram rejeitadas pelo Tribunal Constitucional. A Comissão Nacional de Eleições (CNE) justificou que já não havia tempo para imprimir novos boletins em que não constassem os três candidatos - Joana Amaral Dias, José Cardoso e Ricardo Sousa -, tendo avisado que o voto nestes nomes seria considerado nulo.
Ou seja, apenas 11 candidatos eram elegíveis no boletim de voto, onde, curiosamente, o primeiro era um dos não candidatos.
Terminada a contagem dos votos, no território nacional, registaram-se 65.376 votos nulos e 61.210 votos em branco, que correspondem a um aumento de cerca de 62% e 23%, respetivamente, em relação às eleições de 2021.
Isto pode significar que houve eleitores que, por desconhecimento ou outras razões, podem ter votado numa das três candidaturas rejeitadas pelo Tribunal Constitucional. A verdade é que estamos perante um número elevado de votos nulos.
Dias antes do ato eleitoral, a CNE avisou que os eleitores deveriam escolher apenas uma das 11 candidaturas válidas.
Nas eleições de 2021, havia sete candidatos (os mesmos que constavam nos boletins de voto) e, no território nacional, os votos nulos representaram 0,94% (39.854 votos), enquanto os brancos foram 1,1% (46.862).
Numa verificação das restantes eleições presidenciais, sempre que os votos inválidos eram distinguidos entre votos brancos e nulos, os primeiros foram sempre superiores aos segundos.
A segunda volta das eleições presidenciais portuguesas vai decorrer no dia 8 de fevereiro e será disputada por António José Seguro e André Ventura.
