Football Leaks

Rui Pinto arrependido: "O crime, mesmo com boas intenções, não compensa"

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Nas primeiras declarações, o arguido no processo Football Leaks admitiu que teve acesso a informação de forma ilegal e mostrou-se arrependido.

O criador do Football Leaks, Rui Pinto, começou esta segunda-feira a prestar declarações perante o coletivo de juízes que o está julgar desde 4 de setembro de 2020, no âmbito de um processo no qual responde por um total de 90 crimes.

Nas primeiras declarações, Rui Pinto admitiu que teve acesso a informação de forma ilegal e mostrou-se arrependido.

“Foi revelada muita informação que de outra forma não seria conhecida. Aprendi que o crime, mesmo com boas intenções, não compensa. Sabendo o que sei hoje não voltaria a fazer o que fiz. A minha vida está de pernas para o ar. A minha família tem sofrido bastante. Eu fiquei privado da liberdade. Estive em isolamento. Olhamos para Isabel dos Santos e continua a viver no Dubai. Não tem mandado europeu nem na Interpol. As coisas vão correndo talvez até prescreverem”.

Rui Pinto avisou que ia fazer declarações que podiam contradizer o que tinha dito no primeiro interrogatório judicial. Justificou-se com o que passou na prisão na Hungria.

“Sofri tortura psicológica. Estava fragilizado e disse aquilo que me veio à cabeça no primeiro interrogatório”.

A prestar declarações ao coletivo de juízes pela primeira vez desde o arranque do julgamento, Rui Pinto reconheceu que "foram cometidos erros" no projeto Football Leaks, embora tenha enfatizado os "grandes benefícios" para a sociedade com a revelação de "informação que de outra maneira não teria sido conhecida".

"O dinheiro foi resolvendo as coisas e eu fui a única pessoa que ficou privada da liberdade, fiquei ano e meio privado da liberdade. Foram vários meses em isolamento, apenas com um contacto semanal com a família", referiu, mencionando ainda o caso Luanda Leaks:

"Teve grande impacto nacional e internacional, mas Isabel dos Santos continua a viver tranquilamente a sua vida no Dubai e não pende sobre ela nenhum mandado. As coisas vão correndo talvez até à prescrição".

Rui Pinto, de 33 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.

O criador do Football Leaks encontra-se em liberdade desde 7 de agosto de 2020, "devido à sua colaboração" com a Polícia Judiciária (PJ) e ao seu "sentido crítico", mas está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.

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