Ângelo Correia, que foi ministro da Administração Interna no governo liderado por Francisco Pinto Balsemão, recordou o antigo primeiro-ministro numa entrevista à Edição da Noite, da SIC Notícias.
O ex-governante descreveu Balsemão como "um homem firme, mas muito maleável. Firme nos princípios, mas maleável na forma de os aplicar, simpático e empático na maneira como se relacionava com as pessoas".
"Francisco era um homem convicto, que manteve as suas ideias e valores ao longo de toda a vida", sublinhou Ângelo Correia, acrescentando que o fundador do Expresso e da SIC "delegava bastante, ouvia, falava e dava indicações com clareza".
O antigo ministro destacou ainda a lealdade de Balsemão: "Foi sempre um homem leal, leal aos princípios e às pessoas com quem trabalhava."
Recordando o contexto político da época, Ângelo Correia sublinhou a capacidade de Balsemão para distinguir "divergência" de "quebra de lealdade":
"Na política, há diferenças de opinião, mas o Francisco soube sempre perceber o que era uma divergência legítima e o que era falta de lealdade."
Sobre o legado do governo que Balsemão liderou entre 1981 e 1983, Ângelo Correia destacou "a capacidade de segurar o país numa crise económica e financeira dramática".
"Foi difícil, mas valeu a pena", afirmou.
O antigo ministro lembrou ainda o papel de Balsemão na consolidação da democracia portuguesa:
"Começou a abrir as portas à democracia ainda na ala liberal do regime anterior e continuou esse caminho de forma exemplar, ao permitir que a revisão constitucional conduzisse a uma democracia estável."
Para Ângelo Correia, a principal lição que Francisco Pinto Balsemão deixa aos atuais responsáveis políticos é simples:
"A persistência vale a pena, desde que o objetivo seja o correto."
Francisco Pinto Balsemão morreu esta terça-feira, aos 88 anos, de causas naturais.

