Caros,
É um dia muito difícil para todos nós. Achámos que não chegaria porque começámos a acreditar que Francisco Pinto Balsemão – pai, marido, avô, jornalista, empreendedor – era eterno. Como todos se recordarão, as frases sobre o futuro eram iniciadas pelo fundador da Impresa com a expressão “Se eu um dia morrer…”. Mas o seu legado é eterno. E o seu legado somos todos nós.
Tivemos o privilégio de aprender com ele, de ser motivados por ele, de ouvir as suas ideias, de ficarmos galvanizados com os seus discursos, de receber a sua mensagem a parabenizar quando algo corria bem, ou mesmo aquele reparo quando algo poderia ter corrido melhor. São atitudes e gestos que guardamos na memória com a importância que ele sempre nos mereceu e continuará a merecer. Que valorizaremos pela amizade e dignidade com que ele sempre nos tratou. Sentiremos saudades dos emails em que nos perguntava o que opinávamos e, claro, dos seus afetuosos cumprimentos.
Estamos todos unidos no mesmo sentimento de perda porque todos fizemos parte da sua família: mulher, filhos e netos, mas também os muitos profissionais que colaboraram ou colaboram com a Impresa. E a perda não é só para nós. É também para todo o setor, como figura ímpar e visionária da comunicação social, e para o País, como um dos pais fundadores da nossa democracia e que tanto contribuiu para o desenvolvimento da sociedade civil portuguesa.
Enquanto família, queremos agradecer todas as mensagens que recebemos e todo o apoio nestas horas. Mas o nosso agradecimento é muito mais vasto: obrigado por construírem com Francisco Pinto Balsemão uma história de que todos nos orgulhamos. Uma história que deu ao País ventos de liberdade, com o Expresso, ventos de modernidade, com a SIC, ventos de mudança, com o pioneirismo que sempre o caracterizou. Uma história de mais de 50 anos, pautada por princípios e valores que continuam a nortear o nosso trabalho e o nosso empenho: a liberdade, a independência, o rigor.
Mais importante do que ler as nossas palavras, é relembrar as suas. Porque as suas palavras sempre foram um farol para todos nós. E, se o foram durante todos estes anos, também o serão agora neste momento e no futuro:
Do que fiz na vida, colocaria como fio condutor e como objetivo cimeiro, exercido e conseguido de diversas maneiras, consoante as épocas e as responsabilidades, a luta pela liberdade de expressão em geral e, em especial, pelo direito a informar e a estar informado.
A liberdade é o princípio e tem de ser o fim último. Qualquer intervenção sobre ela deve ser a título subsidiário. E nunca essa intervenção pode ir além da justa medida. O princípio é a liberdade. A exceção é a restrição.
Hoje e sempre, a única obrigação moral que poderá ser exigida ao Homem, para que seja “mais do que matéria físico-química”, é que procure deixar o Mundo onde nasceu, seja este a Terra ou algo mais vasto, melhor do que o encontrou.
Francisco Pinto Balsemão deixou o Mundo melhor. Cumpre-nos seguir o seu legado.
O velório realizar-se-á hoje, no Mosteiro dos Jerónimos, a partir das 18h30, e a missa terá lugar amanhã, às 13h, no mesmo local.
Afetuosos Cumprimentos,
Mónica Balsemão
Henrique Balsemão
Francisco Maria Balsemão
Joana Balsemão
Francisco Pedro Balsemão


