Cada milha que passa representa uma vitória simbólica. Em declarações à SIC Notícias, Mariana Mortágua diz que "o sentimento é de missão mais próxima de ser cumprida e de sucesso na parte em que foi possível pressionar os governos para garantir que a missão chegava até aqui".
Mas estar cada vez mais perto de Gaza significa entrar em águas que Israel declarou exclusivas. Nas redes sociais, Sofia Aparício conta que vários navios rodearam a flotilha
"Há vários navios israelitas à nossa volta. Vamos ser levados contra a nossa vontade… vamos ser raptados. Parece que os israelitas continuam a fazer e a cometer todos os crimes impunemente.
Perante atitudes que consideram intimidatórias, deixam um apelo ao Governo. "Por favor, façam pressão no Governo para que eu, a Mariana e o Miguel cheguemos a Portugal em segurança. Recordo que somos uma flotilha de civis, desarmados, não violenta que transportam ajuda humanitária, intervencionar esta flotilha é crime, raptar-nos é crime".
O chefe da diplomacia portuguesa pediu aos três portugueses para ficarem em águas internacionais. Paulo Rangel avisa que entrar em águas israelitas traz riscos muito sérios. Razão pela qual lembra que há fragatas italianas em zonas consideradas seguras e que estão disponíveis para receber qualquer pessoa que deseje desembarcar.
"Recebemos um e-mail do ministro dos Negócios Estrangeiros a dizer isso mesmo, a dizer que tem um acordo com o governo italiano para uma suposta proteção dos cidadãos portugueses, mas que essa proteção passa por os cidadãos portugueses abandonarem a missão. Isso não é requerido por ninguém e, por isso, a proposta do Governo é inaceitável."
"O que há é uma preocupação de garantir que não há nenhum acidente e que a segurança destas pessoas não será posta em causa, mas isso também passa por ação dos próprios. Aquilo que nós fazemos é acompanhar a situação dentro daquilo que são as nossas possibilidades", disse o primeiro-ministro que, questionado pelos jornalistas sobre a recusa de Mariana Mortágua, respondeu não poder fazer mais do que respeitar a opinião dos outros.
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Os governos de Espanha e de Itália deixaram avisos no mesmo sentido que o executivo. Depois da flotilha entrar na zona de exclusão israelita já não poderão intervir.

