Guerra no Médio Oriente

Quatro italianos expulsos da flotilha por Israel já chegaram a Itália

Os advogados italianos da Flotilha Global Sumud denunciaram esta sexta-feira que as autoridades israelitas deixaram os ativistas sem comida ou água durante horas desde que os detiveram, na noite de quarta-feira e na manhã de quinta-feira.

Quatro italianos expulsos da flotilha por Israel já chegaram a Itália
Zoubeir Souissi

Quatro parlamentares italianos que viajavam na Flotilha Global Sumud, intercetada pelo Exército israelita, desembarcaram esta sexta-feira no aeroporto de Fiumicino, em Roma, representando o início do processo de expulsão das mais de 400 pessoas detidas desde quarta-feira à noite.

Trata-se do senador Marco Croatti, do Movimento 5 Estrelas; do deputado Arturo Scotto e da eurodeputada Annalisa Corrado, do Partido Democrático (PD); e de eurodeputada Benedetta Scuderi, representante do grupo parlamentar Europa Verde.

Os advogados italianos da Flotilha Global Sumud denunciaram esta sexta-feira que as autoridades israelitas deixaram os ativistas sem comida ou água durante horas desde que os detiveram, na noite de quarta-feira e na manhã de quinta-feira.

"Os ativistas detidos por Israel ficaram sem comida nem água durante horas. Até ontem (quinta-feira) à noite", disse a equipa jurídica italiana.

"Além do pacote de batatas fritas dado a Gretan [Thunberg, ativista ecologista sueca] e mostrado às câmaras, nada mais foi dado", acrescentaram.

Alegados maus-tratos aos ativistas

Em relação a alegados maus-tratos aos ativistas, os advogados sustentaram que "é certo que foram alvo de alguns abusos verbais, mas também de abusos físicos: desde serem bombardeados com canhões de água até serem obrigados a embarcar nos navios militares sob a mira de uma arma".

Os advogados instaram também o Governo italiano a "exigir explicações sobre o vídeo em que o ministro [da Segurança Nacional israelita, Itamar] Ben Gvir lhes chama terroristas".

A líder do PD, Elly Schlein, publicou nas redes sociais um vídeo em que abraça Arturo Scotto e Annalisa Corrado à sua chegada, juntamente com uma mensagem apelando aos Governos internacionais para que façam "tudo o que for possível" para "agilizar a libertação e o regresso dos ativistas", cujo objetivo era furar o cerco israelita e entregar ajuda na Faixa de Gaza (alimentos e medicamentos) e criar um corredor humanitário permanente.

"Todos os ativistas da flotilha devem ser libertados de imediato e autorizados a regressar, uma vez que a sua detenção pelo Governo israelita é ilegal, assim como a sua interceção em águas internacionais", sustentou Schlein.

Uma mensagem semelhante partilhou o líder do Movimento 5 Estrelas, Giuseppe Conte, que instou o recém-regressado senador Croatti a mostrar-se "orgulhoso" do que fez.

Conte sublinhou que a Flotilha Global Sumud, composta por mais de 40 navios e mais de 500 ativistas humanitários de diversas nacionalidades, enviou "um sinal contundente" e criticou "a hipocrisia daqueles que encobrem o genocídio em curso em Gaza".