Guerra no Médio Oriente

Israel já deportou 170 ativistas da flotilha e prepara nova expulsão esta segunda-feira

Entre sábado e este domingo, foram deportados cerca de 170 ativistas que integravam a Flotilha Global Sumud, a maioria para Istambul, mas também em voos para Itália e Espanha.

Israel já deportou 170 ativistas da flotilha e prepara nova expulsão esta segunda-feira
GEORGE VITSARAS

Israel vai deportar na segunda-feira 170 ativistas da missão humanitária Flotilha Global Sumud, tendo já deportado outros 170, incluindo os quatro portugueses que vieram este domingo num voo juntamente com 21 cidadãos espanhóis e quatro dos Países Baixos.

Segundo a agência EuropaPress, as autoridades israelitas informaram os representantes legais da flotilha de que a deportação de mais 170 ativistas irá acontecer na segunda-feira, dia 6 de outubro.

O grupo de advogados que representa os ativistas em Israel explicou que foram informados do número total, mas desconhecem a nacionalidade, a identidade das pessoas ou o destino desses ativistas.

Neste grupo, deverão estar os últimos 15 cidadãos italianos que integravam a flotilha e que foram detidos pelas forças israelitas, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Itália, citado pela agência France-Presse.

Ao contrário de um primeiro grupo de 26 italianos que deixaram Israel no sábado, estes 15 cidadãos tiveram que esperar pela expulsão judicial, pois recusaram-se a assinar o formulário de libertação voluntária.

Quando chegaram ao aeroporto Fiumicino, em Roma, no sábado à noite, recebidos por cerca de 200 pessoas, os italianos da flotilha denunciaram as condições de detenção e o tratamento degradante por parte das autoridades israelitas, afirmando terem sido "tratados como macacos velhos nos piores circos da década de 1920".

Pelo menos 22 ativistas em greve de fome

Entre sábado e este domingo, foram deportados cerca de 170 ativistas que integravam a Flotilha Global Sumud, a maioria para Istambul, mas também em voos para Itália e Espanha.

No voo para Espanha, que aterrou este domingo à noite em Madrid, seguiam 21 espanhóis, além de quatro ativistas dos Países Baixos e os quatros ativistas portugueses, que entretanto já chegaram a Portugal.

Na chegada a Madrid, os 29 elementos da flotilha apareceram de camisas brancas e de punho erguido, fazendo com gestos o símbolo da vitória, tendo os espanhóis sido recebidos no terminal por familiares e amigos que os esperavam.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol admitiu ter pagado os bilhetes de avião dos 21 espanhóis para "agilizar a sua saída" de Israel.

A organização da Flotilha Global Sumud disse este domingo que pelo menos 22 ativistas da missão estão em greve de fome enquanto estão detidos pelas autoridades israelitas após terem sido intercetados em águas internacionais entre 1 e 2 de outubro.

"Desde o início da sua interceção em águas internacionais, em 1 de outubro, dezenas de participantes da GSF recusam-se a ser alimentados pela mesma entidade que perpetra uma campanha de fome genocida contra milhões de palestinianos em Gaza", publicou a frota numa mensagem na sua conta no Telegram.

Neste grupo estão ativistas de várias nacionalidades: australianos, austríacos, brasileiros, finlandeses, franceses, gregos, irlandeses, italianos, holandeses, suíços, turcos, britânicos e norte-americanos, bem como seis espanhóis.

"Atos de maus-tratos e tortura"

A Federação Internacional dos Direitos Humanos (FIDH) veio entretanto denunciar os "maus-tratos inaceitáveis" e abusos que Israel está a infligir aos membros da Flotilha Global Sumud detidos, incluindo os vice-presidentes dessa entidade, Alexis Deswaef e Aziz Rhali.

Segundo a organização internacional, a maioria dos tripulantes da frota está detida ilegalmente desde 2 de outubro na prisão de Ketziot (no sul de Israel) e sujeita a condições severas de encarceramento.

"Estas condições difíceis incluem violência física, assédio verbal, privação de água potável, alimentos, sono e medicamentos adequados, bem como confinamento prolongado em posições desconfortáveis e stressantes", denunciou a FIDH, que integra quase duzentas organizações de direitos humanos em mais de cem países.

Tais comportamentos constituem "atos de maus-tratos e tortura de acordo com o direito internacional", alertou a federação, que está a recolher provas disso.