Guerra no Médio Oriente

Hamas quer "garantias reais" de Trump e mediadores da retirada de forças israelitas em Gaza

As delegações do Hamas e de Israel estão a negociar no Egito, em conversações indiretas, o plano de paz de 20 pontos apresentado por Trump na semana passada, depois de receber na Casa Branca o primeiro-ministro israelita.

Hamas quer "garantias reais" de Trump e mediadores da retirada de forças israelitas em Gaza
Yamam Al Shaar/Reuters

O principal negociador do Hamas, Khalil al-Hayya, afirmou esta terça-feira que o movimento islamita palestiniano quer que o Presidente norte-americano, Donald Trump, e os mediadores das negociações com Israel, deem "garantias" de retirada das forças deste país em Gaza. 

"Não confiamos no ocupante", disse o negociador do Hamas ao canal egípcio Al-Qahera News, acusando Israel de violar duas tréguas durante a guerra, "nunca cumprindo as suas promessas".  

"É por isso que queremos garantias reais do presidente Trump e dos países patrocinadores", adiantou al-Hayya, que, juntamente com outros dirigentes do movimento, sobreviveu a uma tentativa de assassínio por parte de Israel a 09 de setembro, em Doha, no Qatar. 

"Estamos prontos para [trabalhar] por um acordo que determine o fim da guerra, a retirada" das tropas israelitas de Gaza e uma "troca" de reféns e prisioneiros, acrescentou. 

Processo de mediação indireta no Egito

As delegações do Hamas e de Israel estão a negociar no Egito, em conversações indiretas, o plano de paz de 20 pontos apresentado por Trump na semana passada, depois de receber na Casa Branca o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu. 

O processo de mediação indireta entre Israel e o Hamas começou no Egito após uma ronda preparatória em Doha, na qual também participou uma delegação turca. 

A Turquia mantém relações estreitas com o movimento islamita palestiniano, que se recusa a classificar como "terrorista", e acolhe frequentemente dirigentes da sua ala política. 

Além da delegação turca e do Qatar, uma equipa norte-americana chefiada por Steve Witkoff, enviado especial da Casa Branca, está envolvida nas conversações, que visam acabar com a guerra na Faixa de Gaza. 

O primeiro-ministro do Qatar, o xeque Mohammed bin Abdulrahman Al-Thani, e uma delegação turca liderada pelo chefe dos serviços secretos, Ibrahim Kalin, vão participar na quarta-feira nas negociações de paz para Gaza, no Egito. 

"O primeiro-ministro do Qatar irá amanhã de manhã [quarta-feira] a Sharm el-Sheikh (Egito) para se juntar às negociações em curso" no "quadro da intensificação dos esforços regionais e internacionais para alcançar um cessar-fogo permanente", escreveu o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, num comunicado publicado na rede social X. 

As conversações terão como prioridade "o estabelecimento de um cessar-fogo, a troca de prisioneiros e a entrega de ajuda humanitária", disseram por sua vez fontes oficiais turcas, citadas pela agência estatal Anadolu, ao confirmarem a presença de Ibrahim Kalin. 

Segundo a agência noticiosa turca, Kalin manteve contactos prévios com autoridades norte-americanas, egípcias, qataris e representantes do Hamas, antes do início das negociações.  

Depois do ataque contra o Hamas no Qatar, o primeiro-ministro israelita apresentou, a partir da Casa Branca, desculpas ao seu homólogo do Qatar pelos ataques realizados no seu país.