Guerra no Médio Oriente

Correspondente SIC

“É a primeira crise, diria eu”: Hamas atrasa entrega dos corpos dos reféns e ameaça plano de paz para Gaza

Apesar da libertação dos reféns vivos e do avanço diplomático no Egito, o Hamas é acusado de não cumprir integralmente o acordo de paz, pois ainda não entregou, conforme acordado, os corpos de todos os reféns que morreram em cativeiro. Em entrevista à SIC Notícias, o correspondente Henrique Cymerman descreveu o impasse como "a primeira crise" do plano de paz para Gaza.

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Foi esta tarde assinado no Egito o acordo que marca o cumprimento da primeira fase do plano de paz para Gaza, proposto pelos Estados Unidos. O dia começou com um gesto simbólico e aguardado há semanas: a libertação dos 20 reféns israelitas que ainda se encontravam vivos, acompanhada pela libertação de detidos e prisioneiros palestinianos nas cadeias israelitas.

Apesar do avanço diplomático, o processo continua incompleto. Falta ainda a entrega dos corpos dos reféns que morreram em cativeiro, um ponto sensível que ameaça criar a primeira crise no cumprimento do acordo segundo Henrique Cymerman.

Em entrevista à SIC Notícias, o correspondente da SIC em Israel explicou:

"Essa é a primeira crise, diria eu. O Hamas tinha dito nas negociações que tinha dificuldade em encontrar 8 ou 9 dos 28 cadáveres. E, de facto, neste momento, parece ter dificuldade em localizar muitos mais ou simplesmente está a guardar esses corpos para, mais tarde, tentar obter algo em troca. O ministro da Defesa israelita já deixou claro que o grupo deve cumprir o acordo e entregar todos os corpos."

Segundo Cymerman, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou estar a acompanhar de perto o processo e garantiu que "estão a ser feitos todos os esforços para encontrar os corpos dos reféns".

"Por agora, são apenas quatro os corpos encontrados. Estão a ser identificados e as famílias serão notificadas nas próximas horas", adiantou o correspondente.

Em Israel, o ambiente é de forte comoção.

"É um momento agridoce", descreve Cymerman. "Por um lado, há uma alegria e uma euforia que eu nunca vi em Israel nas últimas horas. Em todo o país, multiplicam-se as manifestações de solidariedade com as famílias e com os 20 reféns que regressaram. Mas, por outro, há famílias que esperam poder enterrar os seus entes queridos."

O acordo assinado em Sharm el-Sheikh representa um primeiro passo concreto no caminho para uma paz duradoura entre Israel e Gaza.