Israel está a bloquear hoje a passagem de palestinianos de Gaza para o Egito pelo posto de fronteira de Rafah, alegando que a Organização Mundial de Saúde (OMS) não forneceu "os detalhes de coordenação necessários nesta fase".
O porta-voz do Crescente Vermelho de Gaza, Raed al-Nims, disse à agência de notícias EFE que foram informados na manhã de hoje sobre o cancelamento da passagem por Rafah para palestinianos doentes e feridos, que já se preparavam para serem transportados para o local.
Questionado pela EFE sobre o assunto, o órgão militar israelita responsável pelos assuntos civis nos territórios ocupados (COGAT) afirmou que a OMS, que considera responsável pela coordenação da chegada de palestinianos a Rafah para viajarem para o Egito, "não forneceu os detalhes de coordenação necessários nesta fase por razões processuais".
"Assim que os detalhes da coordenação forem apresentados conforme o acordado, a travessia para o Egito dos doentes e dos seus acompanhantes será facilitada pela passagem de Rafah", acrescentou o COGAT.
A passagem de Rafah foi reaberta na passada segunda-feira pela primeira vez em quase dois anos - com exceção de um breve período no início de 2025 - de acordo com o acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, mas até agora menos pessoas a atravessaram do que o inicialmente acordado.
Segundo o acordo, deveriam atravessar 200 pessoas por dia: 150 pessoas - 50 doentes e feridos com 100 acompanhantes - de Gaza para o Egito e outras 50 do Egito para Gaza.
No entanto, entre segunda e terça-feira, e na ausência de dados oficiais, uma vez que Israel não os forneceu, estima-se que 52 pessoas atravessaram do Egito para Gaza.
Na terça-feira, 40 pessoas entraram no enclave palestiniano a partir da passagem de Rafah e chegaram hoje de manhã ao hospital al-Nasser, em Khan Yunis (sul), informou o Ministério do Interior no enclave, controlado pelo Hamas. As outras doze pessoas entraram na Faixa de Gaza na segunda-feira.
Segundo a EFE, 21 doentes - com um número indeterminado de acompanhantes - saíram da Faixa de Gaza para o Egito entre segunda e terça-feira.
O atraso hoje na passagem palestiniana acontece depois de Israel ter bombardeado o enclave palestiniano durante a noite, matando dez pessoas, em resposta ao que denunciou como um ataque de militantes de Gaza contra os seus soldados, que deixou um soldado israelita ferido.


