Guerra Rússia-Ucrânia

Putin reconhece independência dos territórios separatistas pró-Rússia na Ucrânia

21.02.2022 18:43

Os líderes dos separatistas de Donetsk e Lugansk já tinham pedido a Putin para reconhecer independência

O Kremlin reconheceu esta segunda-feira a independência dos territórios separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia. O Presidente russo já assinou o decreto que reconhece Donetsk e Lugansk como regiões independentes.

Num discurso à Nação, Vladimir Putin justificou a decisão de reconhecer a soberania de Donetsk e Lugansk, dizendo foi tomada em defesa das populações da região de maioria russa.

Putin informou Macron e o chanceler alemão

Putin informou o seu homólogo francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Olaf Scholz, mediadores do conflito no leste da Ucrânia, desta decisão, tendo estes reagido expressando a sua “deceção”.

O Presidente francês vai reunir o Conselho de Segurança Nacional de Emergência para discutir a decisão russa.

Vladimir Putin já tinha anunciado, horas antes, que iria decidir hoje sobre o reconhecimento da independência das regiões separatistas pró-Rússia do leste da Ucrânia, apesar das ameaças de retaliação por parte dos países ocidentais, se o Presidente russo tomasse essa decisão.

O que muda?

O reconhecimento diz respeito à independência de dois territórios pró-russos do Donbass ucraniano, que se autoproclamaram repúblicas, Donetsk e Lugansk, onde decorre um conflito há oito anos que já provocou mais de 14 mil mortes.

Um reconhecimento por parte de Moscovo destas repúblicas provoca um curto-circuito no processo de paz resultante dos acordos de Minsk de 2015, assinados pela Rússia e pela Ucrânia, sob mediação franco-alemã, já que estes visavam, precisamente, um regresso dos territórios à soberania ucraniana.

A decisão de Putin também pode abrir caminho a um pedido de assistência militar à Rússia por parte desses territórios, conduzindo à entrada justificada de forças russas nessas regiões, dando razão aos países ocidentais que acusam Moscovo de estar a preparar uma invasão da Ucrânia, junto a cujas fronteiras já posicionaram mais de 150.000 soldados.

Von der Leyen promete reação firme da UE

A Presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, considera a decisão de Moscovo uma “violação flagrante do direito internacional, da integridade territorial da Ucrânia e dos acordos de Minsk”.

No Twitter, garantiu que a União Europeia e os parceiros vão reagir com “firmeza e determinação”, apoiando a Ucrânia.

Boris Johnson fala em “flagrante violação da independência da Ucrânia”

Em conferência de imprensa, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson afirmou que a decisão de Putin é uma “flagrante violação da independência da Ucrânia” e um “repúdio pelo acordo de Minsk”.

“É mais uma indicação que as coisas estão a ir na direção errada”, disse Boris Johnson, garantindo que o Reino Unido irá continuar a apoiar a Ucrânia. 

Boris Johnson prometeu ainda pressionar a Rússia com sanções.

Líderes de Donetsk e Lugansk querem poder contrariar “a agressão das autoridades ucranianas”

Os líderes das autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk (RPD) e Lugansk (RPL) pediram esta segunda-feira ao Presidente russo para as reconhecer como Estados independentes.

O pedido, feito através de mensagens transmitidas pelo canal de televisão russo Rossiya 24, foi feito pelo líder da RPD, Denis Pushilin, e pelo líder da RPL, Leonid Pasechnik.

“Em nome de todos os povos da república popular de Donestk, pedimos-lhe que reconheça a república popular de Donetsk como um Estado independente, democrático, social e legal”, afirmou Pushilin.

O responsável argumentou o pedido de reconhecimento com a necessidade de adquirir o estatuto de sujeito internacional para “poder contrariar totalmente a agressão militar das autoridades ucranianas e evitar vítimas entre a população civil e a destruição de infraestruturas”.

“Caro Vladimir Vladimirovich (nome do meio de Putin), a fim de evitar a morte em massa dos habitantes da república, peço-lhe para reconhecer a soberania e independência da república popular de Lugansk”, disse por sua vez Pasechnik.

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