A Greenpeace encontrou em Chernobyl níveis de radiação três vezes superiores aos medidos pela Agência Internacional de Energia Atómica em abril. A organização ambientalista concluiu que a ocupação da central nuclear pelos russos durante mais de um mês provocou danos sérios nos trabalhos científicos feitos no local. Os enviados especiais da SIC estiveram no interior da zona de exclusão onde testemunharam o sobressalto deixado pelas tropas russas no local do maior acidente nuclear da história.
A aparente paz junto ao reator 4 de Chernobyl não passa disso. Ao redor do sarcófago colocado para garantir que o material radioativo no interior lá permanece, há hoje uma contaminação maior.
As tropas russas chegaram logo no primeiro dia de guerra, como ficou registado nas câmaras de vídeo vigilância à entrada da zona de exclusão. Por Chernobyl passa o caminho mais curto entre a Bielorrússia e Kiev.
A central já desativada contém não só a enorme cúpula protetora de cobre o reator onde se deu a explosão bem como várias instalações de contenção de resíduos nucleares.
Quando os russos lá estiveram, quebraram várias regras básicas seguidas dia a dia por quem trabalha onde a história regista o pior acidente nuclear de sempre. Já lá vão 36 anos.
No centro de medições, existem inúmeros computadores despidos. Os soldados da Federação Russa levaram praticamente todos os discos rígidos que existiam.
O local agora está limpo, mas ficou registado em vídeo pelos funcionários como os ocupantes deixaram o espaço antes de partirem um mês e meio depois de terem chegado.
Numa das estradas entre a central e Prypiat a cidade que agora não tem ninguém e onde em 1986 moravam os trabalhadores da central há trincheiras que os ucranianos garantem terem sido escavadas pelos russos
Foram abertas em plena floresta vermelha, uma das zonas mais contaminadas em todo o mundo.
A Ucrânia garante que, pelo menos, 300 soldados russos saíram envenenados pela radiação, uma informação que nunca foi assumida por Moscovo.
Uma equipa de peritos de Chernobyl encontrou, nas últimas semanas, níveis de radiação pelo menos 3 vezes maiores que os registados pela Agência Internacional de Energia Atómica em abril.
A investigação concluiu que os russos danificaram muito do trabalho científico produzido ao longo dos anos sobre o impacto da radiação no ser humano, ameaçando a segurança das atuais e futuras gerações.

