Guerra Rússia-Ucrânia

O aviso da Rússia: guerra continua "até que os objetivos sejam atingidos"

Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin
Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin
Sergei Karpukhin / Reuters
Por enquanto, "não existem quaisquer perspetivas de negociações" entre Moscovo e Kiev, conta o porta-voz do Kremlin.

A intervenção militar russa na Ucrânia vai continuar "até que os objetivos sejam atingidos", garantiu esta segunda-feira o Kremlin, numa altura em que as forças de Moscovo foram obrigadas a recuar após as ofensivas militares de Kiev dos últimos dias.

"A operação militar especial vai continuar até que os objetivos fixados inicialmente sejam atingidos", afirmou à imprensa o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, admitindo que, atualmente, "não existem quaisquer perspetivas de negociações" entre Moscovo e Kiev.

Também em Moscovo, o Ministério da Defesa russo indicou ter desencadeado hoje de manhã um conjunto de ataques com mísseis de alta precisão a posições militares ucranianas no leste, centro e sul do país, incluindo a região de Kharkiv, onde decorre uma contraofensiva ucraniana.

A Força Aeroespacial e a artilharia da Rússia estão a realizar ataques de alta precisão contra unidades e reservas do Exército Ucraniano na região de Kharkiv”, disse o porta-voz do Ministério da Defesa, Igor Konashenkov.

Segundo o próprio, os ataques foram dirigidos contra tropas e equipamentos de guerra das unidades nacionalistas Kraken, da 113.ª Brigada de Defesa Territorial e da 93.ª Brigada Mecanizada, localizadas nas cidades de Kupiansk e Izium, recentemente recuperadas pela Ucrânia.

"As perdas do inimigo somaram 250 soldados e mais de 20 equipas de combate", declarou.

Nas regiões de Zaporijia e de Donetsk, prosseguiu Konashenkov, o exército russo atacou quatro postos de comando ucranianos, 36 unidades de artilharia, 125 áreas de montagem militar e de equipamentos e uma oficina de reparos para vários sistemas de lançadores. Além disso, o porta-voz do comando russo afirmou que as Forças Aeroespaciais atacaram um alvo militar na cidade de Rogui, região de Cherkasy, no centro do país.

Horas antes, em Kiev, o Exército ucraniano tinha anunciado que retomou "mais de 20 localidades" em 24 horas, no quadro da contraofensiva contra o exército russo, nomeadamente no leste da Ucrânia. “A libertação de localidades dos invasores russos continua nas regiões de Kharkiv e Donetsk”.

Em toda a linha de frente, as forças ucranianas conseguiram expulsar o inimigo de mais de 20 localidades" em 24 horas, referiu o Exército ucraniano no seu relatório matinal, tendo as tropas russas abandonado “as suas posições à pressa” e fugido, dizem.

No domingo, a Ucrânia afirmou ter recuperado cerca de 3.000 quilómetros quadrados do território, sobretudo na região de Kharkiv, desde o início de setembro. Nessa noite, várias regiões do leste, norte, sul e centro do país sofreram extensos cortes de energia, atribuídos pelas autoridades ucranianas aos ataques russos. Perto de Kharkiv, a central termoelétrica número 5, a segunda do país, foi afetada.

Entretanto, numa entrevista ao jornal francês Le Monde, publicada esta segunda-feira, o ministro da Defesa ucraniano, Oleksii Reznikov, afirmou que a guerra na Ucrânia entrou na "terceira fase" e que os atuais êxitos militares de Kiev "terão um efeito de bola de neve" que só parará com a derrota russa.

"A campanha de contraofensiva é a terceira fase. A primeira viçava dissuadir os russos, a Segunda consistir em estabelecer um equilíbrio entre eles e nós nas frentes de combate, estabilizá-la e testar a capacidade de resistência russa", explicou Reznikov.

"O nosso Estado-maior concebeu um plano em função do armamento que recebemos dos nossos parceiros. Começamos a utilizar os sistemas de artilharia móvel Himars para cortar as linhas de apoio logístico do inimigo, a destruir os depósitos de combustíveis e de munições. E esta é terceira fase da guerra, que começou no sul e no norte, nos distritos de Kherson e de Kharkiv", acrescentou.

Os objetivos da Ucrânia, frisou Reznikov, são a libertação de todos os territórios ocupados, "incluindo a Crimeia, Luhansk e Donetsk", e o estabelecimento dos postos de fronteira nos pontos em que se encontravam em 1991. Além da "libertação total" dos territórios ucranianos, Kiev pede um "roteiro absolutamente claro sobre o pagamento de reparações pelos russos e o estabelecimento da responsabilidade de Moscovo pelos crimes de guerra" cometidos desde o início da invasão, a 24 de fevereiro.

Questionado sobre a possibilidade de uma longa guerra, Reznikov recusou-se a fazer previsões, defendendo, porém, que a Ucrânia irá sair vencedora.

"Será como uma bola de neve. Começará a rolar, rolar, rolar e ficará cada vez maior, maior e maior... E vamos ver o segundo exército do mundo a bater em retirada", finalizou.

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