Guerra Rússia-Ucrânia

Lavrov acusa Ocidente de russofobia "grotesca" e faz aviso sobre referendos

Lavrov acusa Ocidente de russofobia "grotesca" e faz aviso sobre referendos
Stephanie Keith

O discurso do chefe da diplomacia russa nas Nações Unidas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, acusou o Ocidente de “russofobia” “grotesta e sem precedentes" no seu discurso nas Nações Unidas.

“A russofobia oficial no Ocidente não tem precedentes, a sua dimensão é grotesca”.

"Não hesitam em declarar a sua intenção não apenas de infligir uma derrota militar ao nosso país, mas também de destruir a Rússia", afirmou, defendendo os "referendos" de anexação em curso em várias regiões da Ucrânia e atacando diretamente os Estados Unidos.

"Ao declarar-se a sua vitória na guerra fria, Washington considera-se quase um enviado de Deus na Terra, sem qualquer dever, mas com o direito sagrado de agir com impunidade em qualquer lugar e a qualquer momento", declarou.

O chefe da diplomacia de Moscovo defendeu os "referendos" de anexação que decorrem em quatro regiões ucranianas sob controlo total ou parcial das forças, considerando que as populações recuperam "a terra onde os seus antepassados viveram durante centenas de anos".

Lavrov diz que resultados dos referendos serão respeitados

Já numa conferência de imprensa após a participação na Assembleia-Geral da ONU, garantiu que “respeitará inquestionavelmente os resultados dos referendos”.

Questionado sobre se um resultado favorável significaria uma anexação imediata, respondeu que "a Rússia respeitará a expressão do povo ucraniano".

A Ucrânia e a comunidade internacional não reconhecem a legitimidade das consultas.

Em 2014, a Rússia utilizou um referendo idêntico para legitimar a anexação da Crimeia, depois de ter invadido e ocupado esta península ucraniana situada na costa norte do Mar Negro.

Na mesma altura, eclodiu uma guerra separatista nas regiões de Donetsk e Lugansk com o apoio de Moscovo.

O Presidente russo, Vladimir Putin, reconheceu as autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk dias antes de ordenar a invasão de Ucrânia, em 24 de fevereiro deste ano.

Russos em fuga do país para evitar mobilização

Milhares de homens russos deixaram ou estão a tentar deixar o país para evitar combater na Ucrânia.

A Rússia admitiu este sábado a existência de uma fila de cerca de 2.300 veículos na fronteira com a Geórgia, que esperam na Ossétia do Norte para passarem pelo desfiladeiro Verjni Lars, o único entre os dois países.

"Atualmente, no território da República da Ossétia do Norte-Alânia, há uma acumulação significativa de carros à espera para passarem pela fronteira de Verjni Lars. Há cerca de 2.300 no total", disse o Ministério do Interior daquela região russa.

A polícia da Ossétia pediu aos cidadãos para que não viajem em direção à Geórgia.

A fila está a aumentar desde quarta-feira, dia em que o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou a mobilização parcial para enviar cerca de 300.000 reservistas para combater a Ucrânia.

Situações semelhantes repetem-se nas fronteiras da Rússia com o Cazaquistão, Mongólia e Finlândia.

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