Guerra Rússia-Ucrânia

Resposta do Ocidente a ataque nuclear "aniquilaria" exército russo, diz Borrell

Resposta do Ocidente a ataque nuclear "aniquilaria" exército russo, diz Borrell
FREDERICK FLORIN/Getty Imagens

O chefe da diplomacia europeia fez ainda um pedido ao Presidente russo para que não utilize o "bluff" para fazer ameaças.

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, advertiu esta quinta-feira que um potencial ataque nuclear da Rússia à Ucrânia desencadearia uma "resposta militar" ocidental tão "poderosa" que "aniquilaria" o exército russo.

Ao discursar numa reunião dos ministros da Defesa do Conselho do Atlântico Norte (NAC), que decorre em Bruxelas, Borrell pediu ao Presidente russo, Vladimir Putin, para que não utilize o "bluff" para fazer ameaças.

"Putin não se pode dar ao luxo de fazer 'bluff'. Tem de perceber que quem apoia a Ucrânia -- a UE [União Europeia] , Estados Unidos e NATO [Organização do Tratado do Atlântico Norte] -- não está a fazer 'bluff'. Qualquer ataque nuclear contra a Ucrânia provocaria uma resposta, não nuclear, mas uma resposta militar tão poderosa que o exército russo seria aniquilado", frisou Borrell.

Um pouco antes, ao chegar à sede da NATO, o chefe da diplomacia europeia aproveitou para anunciar que, na próxima semana, a UE aprovará um novo financiamento que elevará o apoio militar à Ucrânia para "mais de 3.000 milhões" de euros desde o início do conflito.

"Venho informar os membros da NATO que vamos aprovar, espero que na próxima segunda-feira, no Luxemburgo, uma nova parcela do nosso apoio militar às forças armadas ucranianas", declarou o Alto Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança.

No total, a UE terá dedicado "mais de 3.000 milhões de dólares (cerca de 3.080 milhões de euros) em recursos do Fundo Europeu de Apoio à Paz", acrescentou, antes da reunião com os ministros da Defesa dos 30 Estados-membros da NATO.

Desde o início da ofensiva russa na Ucrânia, os europeus já destinaram 2.500 milhões de euros da doação de 5.700 milhões de euros de um fundo criado fora do orçamento europeu para financiar entregas de armas à Ucrânia.

A nova parcela será de 500 milhões, disse uma fonte europeia, citada pela agência noticiosa France-Presse (AFP).

Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 da UE reunir-se-ão segunda-feira no Luxemburgo para endossar o novo financiamento e lançar uma importante missão militar para ajudar as tropas ucranianas a enfrentar as forças invasoras russas.

A nova missão militar também será financiada pelo Mecanismo Europeu de Apoio à Paz e deve permitir dar, "inicialmente", instrução militar a 15.000 soldados ucranianos, acrescentou a AFP.

O acordo político alcançado quarta-feira pelos embaixadores dos 27 Estados-membros junto da UE em Bruxelas prevê uma sede para as missões e centros de instrução em cada Estado-membro que os organizará. A Polónia e a Alemanha manifestaram disponibilidade para acolher a sede.

Os membros da NATO comprometeram-se a fornecer à Ucrânia sistemas de defesa antiaérea e antimísseis, algo que exige vários meses de treino para um uso adequado.

O Reino Unido, que deixou a UE, já dá instrução a soldados ucranianos no país há vários meses.

Já no decorrer da reunião dos ministros da Defesa da NATO, Josep Borrell, que apresentou hoje também o projeto de uma Academia Diplomática Europeia (ADE) na qual o bloco comunitário pretende formar os seus próprios diplomatas, expressou preocupação por ainda haver cinco países, incluindo a Rússia, que recusaram quarta-feira, na Assembleia-Geral da ONU, condenar as anexações russas de território ucraniano e outros 35, entre eles China, África do Sul e Índia, que se abstiveram na votação.

"20% da comunidade global decidiu não apoiar nem rejeitar as anexações russas. Para mim, é muito. Estamos felizes porque a garrafa está bastante cheia, mas ainda está um pouco vazia. Temos de continuar a trabalhar para fazer o mundo rejeitar esta guerra ainda com mais clareza", afirmou Borrell, que reconheceu que em muitas ocasiões a diplomacia não é apenas sobre valores, mas também sobre interesses e dependência de Moscovo.

O projeto da Academia Diplomática Europeia visa formar futuros diplomatas da UE em áreas como a política externa e de segurança do bloco, bem como adquirir as competências e habilidades necessárias para "promover e defender eficazmente os princípios e interesses" do bloco comunitário no mundo.

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