Guerra Rússia-Ucrânia

Sanções europeias à Rússia "transformam-na num Estado pária"

Sanções europeias à Rússia "transformam-na num Estado pária"
Sergei Karpukhin

União Europeia estima ativos russos congelados superiores a 17.000 milhões de euros.

O porta-voz do Parlamento Europeu (PE) defendeu este sábado que a União Europeia (UE) deve manter as sanções à Rússia enquanto durar a guerra na Ucrânia e assegurou que os pacotes sancionatórios estão a transformar a Rússia num Estado pária.

"Acredito que, neste momento, a Rússia se tornou um Estado pária e esperamos que, dentro de pouco tempo, sejam os próprios russos a perceber isso", sustentou Jaume Duch numa entrevista à Europa Press.

O porta-voz do Parlamento Europeu sublinhou que os oito pacotes de sanções aprovados até hoje "isolam o núcleo duro do Kremlin" e são uma forma de fazer a Rússia "perceber que esta guerra, entre outras coisas, é como um cancro para o seu próprio futuro", pois as sanções estão a causar muitos danos à economia russa.

Duch lembrou que as sanções levaram à saída de centenas de empresas europeias, bem como ao isolamento diplomático internacional.

"A Rússia foi retirada de muitos fóruns de discussão sobre praticamente qualquer tipo de política" e também em debates no âmbito das Nações Unidas, acrescentou.

Duch argumentou que "ainda há muito a fazer" em termos de sanções e lembrou que o Parlamento Europeu aprovou várias resoluções, com ampla maioria, embora não por unanimidade, "que se comprometem a insistir nas sanções contra a Rússia nos próximos meses".

UE estima ativos russos congelados superiores a 17.000 ME

O comissário de Justiça da União Europeia (UE), Didier Reynders, estimou que as sanções do bloco contra a Rússia pela invasão da Ucrânia levaram à paralisação de ativos de cidadãos russos superiores a 17.000 milhões de euros.

"Estamos a falar dos bens de cerca de 90 pessoas, mais de 17.000 milhões de euros bloqueados em sete estados membros, incluindo cerca de 2.200 milhões na Alemanha", explicou o comissário belga em declarações aos meios de comunicação do grupo de média alemão Funke.

A UE adotou oito pacotes de sanções contra a Rússia, desde a invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro, enquanto os políticos ucranianos insistem que o dinheiro "congelado" deve ser redirecionado para a reconstrução pós-guerra na Ucrânia.

A esse respeito, o comissário estimou que é possível redirecionar, desde que seja comprovado que o dinheiro tem origem em atividades criminosas.

"Nesse caso, é possível canalizá-lo para um fundo de compensação para a Ucrânia", explicou Reynders, antes de esclarecer que o valor bloqueado "não é nem remotamente suficiente para financiar um processo de reconstrução nacional".

Da mesma forma, Didier Reynders lembrou que a este montante devem ser adicionados os 300.000 milhões de euros de reservas em moeda estrangeira do banco central da Rússia, um valor que "pelo menos é possível manter bloqueado como garantia de que a Rússia se compromete voluntariamente a participar do processo de reconstrução".

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