Guerra Rússia-Ucrânia

"O que se passar em Kherson será decisivo para o controlo a sul" da Ucrânia

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Germano Almeida, comentador da SIC, analisa a guerra na Ucrânia.

As autoridades pró-russas de Kherson, no sul da Ucrânia, anunciaram na terça-feira uma nova retirada de milhares de pessoas da região onde as tropas ucranianas estão a realizar uma contraofensiva militar.

Germano Almeida explica que este recuar das forças russas é “objetivo”, assumindo que o objetivo não é claro e "ainda está por esclarecer", mas é, no mínimo, uma “retirada estranha”.

“Nas últimas horas os russos baixaram as suas linhas em Kherson, 15 quilómetros, para Skadovsk, a sul, confirmando essa tendência de retirada. Os russos, no terreno, estão a dar indicações de evacuação no próximo dia seis de novembro, isso é uma indicação aos civis pró-russos ainda lá e que, naturalmente, os ucranianos também passam a saber”.

Assim, para o comentador da SIC parece claro que os russos se estão a retirar de Kherson, contudo, destaca que ainda não está claro o que querem e como querem fazer essa retirada.

"O que é certo é que o que se passar em Kherson será decisivo para o controlo a sul e também explica que de algum modo a progressiva instabilidade que a Rússia está a gerar em relação ao Mar Negro".

40% das infraestruturas de energia destruídas

Pelo menos 40% das infraestruturas de energia da Ucrânia foram destruídas. Nos últimos dias, e de acordo com Volodymyr Zelensky, as centrais termo e hidroelétricas têm sido um dos principais alvos dos bombardeamentos da Rússia. Milhares de pessoas estão sem eletricidade e o comentador assume que é crucial a forma como a Ucrânia vai lidar com esta situação.

Emmanuel Macron e Volodymyr Zelensky falaram esta terça-feira ao telefone e, na sequência dessa conversa, foi marcada uma conferência internacional, em Paris, a 13 de dezembro, para "ajuda, em concreto, dos ucranianos a passar o inverno". Esta medida tomada por França reforça as ações de "um conjunto de países europeus que vão cada vez mais participar nessa ajuda que é fundamental".

O comentador da SIC específica que Kiev tem 80% da população sem água e, neste momento, 16 mil lares ainda estão sem eletricidade.

"O presidente da Câmara de Kiev, Vitali Klitschko, avança com a indicação que há mil posições em Kiev onde poderá haver pontos de aquecimento, e será muito importante que todo esse processo seja rápido e eficaz".

Após os ataques mais recentes é possível perceber que a estratégia russa nesta fase é de "desmoralização dos civis ucranianos além, de naturalmente, os ataques, em concreto".

Exportação de cereais

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse esta terça-feira ao homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, querer "garantias reais" de que Kiev respeita o acordo sobre as exportações de cereais ucranianos, no qual a Rússia suspendeu a participação.

Para Germano Almeida há duas conclusões após a chamada entre os dois Presidentes. Primeiro, a Turquia "quer voltar a ser fundamental nesta questão" dos cereais, Erdogan também se vai encontrar pessoalmente com Putin, mas também com Zelensky.

O ministro da Defesa turco, Hulusi Akar, falou com o homólogo russo, Sergei Shoigu, e a “Rússia insiste que enquanto a Ucrânia não der garantias de não aproveitar esta situação para atacar, vai mesmo sair do acordo.”

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