Guerra Rússia-Ucrânia

Sanções à Rússia são "passo em direção à guerra", afirma primeiro-ministro húngaro

Sanções à Rússia são "passo em direção à guerra", afirma primeiro-ministro húngaro
BERNADETT SZABO

Viktor Orbán considera que estratégia adotada por Bruxelas "é perigosa".

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, classificou esta sexta-feira as sanções da União Europeia contra a Rússia como um "passo em direção à guerra", reforçando que a estratégia adotada por Bruxelas "é perigosa".

"Quem intervem economicamente num conflito militar toma uma posição", afirmou o líder nacionalista, na sua tradicional entrevista semanal a uma rádio próxima do Governo.

"Pouco a pouco, estamos a deslizar para a guerra", insistiu, mostrando-se preocupado com a quantidade de medidas adotadas para sancionar a ofensiva russa na Ucrânia.

Viktor Orbán critica regularmente as sanções europeias, apesar de ter votado a favor da sua adoção, ao lado dos seus parceiros, culpando-as pelos reveses económicos no país da Europa Central.

A economia húngara contraiu no terceiro trimestre (em relação ao segundo) e a inflação ultrapassou os 20 por cento, chegando a 45% na alimentação.

O Governo lançou uma "consulta nacional" sobre a questão e colou cartazes no país onde se vê a imagem de um míssil acompanhada da mensagem "As sanções de Bruxelas estão a arruinar-nos".

O primeiro-ministro disse estar pronto para lutar contra um possível novo pacote de sanções e garantir que a Hungria, muito dependente dos hidrocarbonetos russos, fique "isenta", como aconteceu com o embargo ao petróleo.

"Agora estamos a fornecer armas destrutivas, estamos a treinar soldados ucranianos no nosso próprio território, estamos a impor sanções energéticas. (...) Estamos a tornar-nos parte integrante" do conflito, defendeu Orbán.

"Ainda não somos alvos militares, mas estamos prestes a tornar-nos beligerantes. A Europa está a jogar um jogo muito perigoso", concluiu.