O encontro entre Volodymyr Zelensky e Donald Trump na Casa Branca pode valer mais pelo que acontece fora dos holofotes do que pelas declarações públicas, diz Rui Cardoso.
"O mais importante na visita de Zelensky a Washington não é a encenação, não é o show-off, mas as coisas que por baixo da mesa se combinam”.
O fornecimento de mísseis de cruzeiro Tomahawk a Kiev é importante, mas além disso, o que é crítico neste momento para os ucranianos, "é eles receberem coordenadas precisas de alvos a atingir na profundidade do território russo. Estamos a falar sobretudo de refinarias. De facto, alguns dos últimos ataques a refinarias russas têm tido uma tal precisão que se fica a pensar se alguém, esse alguém evidentemente os Estados Unidos, os satélites, os aviões radar e tal, não terão fornecido indicações precisas para guiar os drones de longo alcance ucranianos até lá".
Depois de surgirem rumores sobre o envio deste armamento, Trump falou ao telefone com Vladimir Putin.
"Tenta-se estabelecer uma relação de causa e efeito entre esse anúncio e a circunstância de depois Trump e Putin terem falado ao telefone. Se foi assim ou não foi, não sabemos. Sabemos é que Trump vem logo a seguir fazer uma declaração à Trump, dizendo que, bom, mas nós também não podemos depauperar o nosso stock de mísseis de Tomahawk, de forma que não sabemos bem o que é que vamos fazer e tal".
Foi anunciado para dentro de duas semanas um encontro presencial entre Donald Trump e Vladimir Putin e a acontecer em Budapeste - "a escolha natural, sobretudo para receber um senhor que tem mandato de captura do Tribunal Penal Internacional, chamado Vladimir Putin. A Hungria já anunciou que vai sair do Tribunal no próximo ano e Orban é o criado para todo o serviço de Putin".
Gaza está transformada num buraco negro
No Médio Oriente, há atraso na entrega dos corpos de reféns israelitas. Rui Cardoso considera que o cessar-fogo em Gaza está a ser minado por má-fé do lado israelita.
"Isto é conversa de Netanyahu para manter os seus aliados supremacistas e de extrema-direita na coligação. Gaza está transformada num buraco negro. As escavadoras e os equipamentos necessários para encontrar cadáveres foram destruídos pela tropa israelita. São desculpas de mau pagador".
Para o jornalista, a ironia é que “a organização que os Estados Unidos mais queriam destruir, o Hamas, continua em Gaza e até recupera alguma implantação local, enquanto a Autoridade Palestiniana, que devia conduzir o processo de paz, não é vista nem achada”.

